Brasília – Oito fundos de previdência estaduais e municipais registram atualmente déficit financeiro após investirem em Letras Financeiras do Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro e liquidada no ano passado. A informação consta dos Demonstrativos de Resultados da Avaliação Atuarial (DRAA) de 2025, examinados pela GloboNews.
No total, 18 fundos previdenciários de entes públicos direcionaram R$ 1,86 bilhão para aplicações no Banco Master antes da liquidação. Desse montante, parte relevante estava concentrada em títulos de longo prazo emitidos pela instituição, o que ampliou o risco quando o banco entrou em processo de fechamento.
A análise dos DRAA – documentos obrigatórios que mensuram a saúde financeira e atuarial de regimes de previdência – revelou que, entre os 18 investidores públicos, ao menos oito fundos encerraram o último período com desequilíbrio nas contas. O resultado negativo está diretamente associado à desvalorização ou à incapacidade de resgate das Letras Financeiras adquiridas.
Os relatórios de 2025 trazem detalhamento sobre passivos, ativos e a relação entre contribuições e benefícios a pagar. Conforme apontado pela auditoria atuarial, o impacto dos papéis do Banco Master já aparece nas linhas de receita financeira, reduzindo a expectativa de retorno e pressionando as reservas necessárias para cobrir aposentadorias futuras.
Responsáveis pelos regimes próprios de previdência, os governos estaduais e prefeituras afetados avaliam alternativas para recompor os cofres, entre elas aportes adicionais de recursos públicos ou a renegociação de dívidas junto aos servidores. Até o momento, porém, não há definição de um plano conjunto.
O Banco Master foi liquidado no ano passado por determinação do Banco Central, após sucessivas dificuldades de capital. A medida comprometeu não apenas investidores privados, mas também os fundos de servidores que apostaram nas Letras Financeiras do banco em busca de maior rentabilidade.
Enquanto o processo de liquidação segue em curso, os gestores previdenciários monitoram a possível recuperação de parte dos valores aplicados. Entretanto, profissionais do setor admitem que o reequilíbrio pleno dependerá de decisões judiciais e da evolução do processo de venda de ativos do banco.
O cenário de déficit traz preocupação adicional aos segurados dos regimes próprios, pois pode exigir ajustes nas alíquotas de contribuição ou impacto no calendário de pagamento de benefícios, caso não haja recomposição tempestiva dos recursos.
Com informações de Claudiodantas
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.









