Pelo menos 100 regimes próprios de previdência de governos locais destinaram parte de seu patrimônio a cinco fundos de investimento associados ao Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro. O dado resulta de um levantamento da Folha de S.Paulo que cruzou informações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) com registros do Ministério da Previdência.
De acordo com o mapeamento, três desses investidores são regimes estaduais, enquanto 98 pertencem a municípios espalhados pelo país. Todos aportaram recursos em cinco carteiras geridas ou estruturadas sob influência do grupo financeiro: Texas I, Áquila e outros três fundos que também mantêm vínculos com a mesma instituição.
A apuração indica que os gestores desses regimes próprios — responsáveis por pagar aposentadorias de servidores públicos — optaram pelas aplicações no Master após avaliar rentabilidade e condição de liquidez apresentadas pelas carteiras. Os dados oficiais consultados mostram a presença dos entes federativos na composição de cotistas, mas não detalham valores individuais investidos.
Apesar de o levantamento não especificar as datas exatas de entrada de cada aplicação, os registros consolidados pela CVM confirmam que os investimentos permaneceram ativos ao longo de 2023. Segundo a Folha, a escolha pelos fundos do Master ocorreu em períodos distintos, sempre dentro de regras que autorizam regimes próprios a buscar retornos acima da renda fixa tradicional.
Conforme as bases públicas analisadas, todos os aportes estão devidamente declarados. Os regimes de previdência que compõem a lista abrangem capitais, cidades de médio porte e pequenos municípios, além de três unidades estaduais. Nos documentos oficiais, os fundos Texas I e Áquila concentram a maior quantidade de cotistas, seguidos pelos demais veículos ligados ao banco.
Os regimes próprios de previdência gerenciam recursos que asseguram aposentadorias de servidores, e a legislação prevê limites e diretrizes para aplicações em renda variável, renda fixa e fundos estruturados. No caso das carteiras associadas ao Banco Master, a participação dos entes públicos foi apontada pela imprensa como expressiva em comparação a outros fundos de perfil semelhante.
Até o momento, não há registro de irregularidades relacionados às aplicações, e o Ministério da Previdência mantém o acompanhamento rotineiro sobre a alocação de ativos desses regimes. As pastas responsáveis pela gestão dos fundos e os entes investidos não comentaram publicamente os dados divulgados.
Com informações de Claudiodantas
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