Os Correios registram atrasos que somam R$ 3,7 bilhões em pagamentos a fornecedores, ao fundo de pensão Postalis, ao plano de saúde Postal Saúde e em obrigações tributárias junto ao governo federal. O montante consta de um documento interno de análise da situação financeira da estatal, obtido pelo Grupo Globo, que detalha a evolução das dívidas e aponta dificuldades de caixa persistentes.
Segundo o levantamento, uma parte expressiva do débito está relacionada a contratos com empresas que fornecem desde combustíveis até equipamentos e serviços essenciais para o funcionamento da rede postal. Além desses compromissos operacionais, o relatório indica passivo relevante com o Postalis, responsável pela aposentadoria complementar dos empregados, e com o Postal Saúde, plano que atende funcionários ativos e aposentados.
Os valores em aberto incluem ainda tributos federais, o que coloca a companhia em situação de inadimplência com o Fisco. O documento interno associa o acúmulo de pendências a sucessivas crises econômico-financeiras enfrentadas pelos Correios nos últimos anos, período em que a estatal viu sua receita pressionada por queda na demanda de serviços tradicionais e aumento de custos operacionais.
A avaliação preparada pelos técnicos da empresa descreve impacto direto no equilíbrio das contas e alerta para riscos de restrição na oferta de serviços postais caso não haja recomposição de caixa. Embora não detalhe um cronograma de regularização, o material cita a necessidade de medidas de saneamento financeiro para evitar o crescimento da dívida e possíveis sanções legais decorrentes do não pagamento de impostos e contribuições.
Procurada, a direção dos Correios não se manifestou sobre o teor específico do relatório nem apresentou plano de quitação dos débitos. O documento não informa prazos nem percentuais de cada categoria de obrigação dentro do total de R$ 3,7 bilhões, mas ressalta que o acúmulo de passivos vem se agravando progressivamente.
Apesar das dificuldades, a estatal segue realizando entregas e mantendo atendimento em todo o território nacional, mas enfrenta pressão de seus credores e de órgãos de controle para regularizar a situação. O texto interno indica que novas negociações com fornecedores e entidades de classe podem ser necessárias para evitar interrupções de contratos e garantir a continuidade da operação postal.
Até o momento, não há registro de intervenção do Ministério das Comunicações ou do Tesouro Nacional para socorrer financeiramente a empresa. O relatório obtido pela Globo permanece em análise dentro da própria estatal e pode embasar futuras decisões de reestruturação.
Com informações de Claudiodantas
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