Brasília — O Banco Master e a gestora Reag Investimentos concentraram, juntos, 25% do capital social do Banco de Brasília (BRB) a partir de julho de 2024. A informação foi revelada pelo site Metrópoles e indica que a participação foi obtida por meio de uma compra expressiva de ações realizada antes da tentativa de o BRB adquirir o próprio Banco Master.
Segundo o veículo, a operação ocorreu logo após o Conselho de Administração do BRB aprovar um aumento de capital naquele mês. Com a elevação, parte dos papéis emitidos foi absorvida pelo Banco Master e pela Reag, que, combinados, alcançaram um quarto de todo o capital do banco público.
O movimento ganhou relevância porque antecedeu em poucos meses as liquidações de Master e Reag pelo Banco Central, processo que resultou na retirada do controle das duas instituições sobre suas próprias operações. Apesar disso, no intervalo entre a compra das ações e o início da intervenção, o duo de investidores tornou-se o maior acionista privado do Banco de Brasília, posição que manteve até o BC determinar as liquidações.
Fontes ouvidas pelo Metrópoles afirmaram que a aquisição das ações ocorreu dentro das regras de mercado e foi comunicada aos órgãos reguladores. Entretanto, a reviravolta com a liquidação alterou o cenário de governança do BRB, uma vez que o banco passou a ter uma fatia relevante de seu capital pertencente a instituições sob intervenção.
O episódio também levanta questionamentos sobre o processo de avaliação realizado pelo BRB antes de anunciar, publicamente, o interesse em comprar o Banco Master. A proposta de aquisição foi divulgada depois de confirmada a participação acionária, mas não avançou em razão da intervenção posterior do Banco Central.
Até o momento, o BRB não se manifestou sobre eventuais mudanças na composição acionária decorrentes da liquidação dos antigos acionistas nem sobre novos passos na estratégia de expansão que incluía o Master. O Banco Central e os administradores nomeados para conduzir a liquidação das duas instituições também não comentaram os próximos desdobramentos.
O caso permanece sob acompanhamento de autoridades regulatórias, enquanto o mercado aguarda definições sobre o destino das ações do BRB que pertenciam a Master e Reag.
Com informações de Claudiodantas
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