A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL), que pintou rosto e braços de preto na tribuna da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) na última quarta-feira (18) para atacar a deputada federal Erika Hilton (PSOL), declarou-se parda ao concorrer ao cargo em 2022, conforme registro no DivulgaCand, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O contraste foi destacado pela deputada estadual Monica Seixas (PSOL) em publicação nas redes sociais. Segundo os dados do TSE, Fabiana recebeu R$ 1.593,33 do Fundo Eleitoral destinado a candidaturas de pessoas pretas e pardas.
“Blackface e fraudadora de cotas! Fabiana Bolsonaro, que disse ontem no plenário: ‘Sou branca. Se eu me travestir de preto sou preta?’, se declarou parda nas Eleições de 2022. Fui fuçar o repasse do PL do fundo especial racial e bingo. Achei ela na lista dos que receberam dinheiro do fundo.”
Protesto na tribuna
Durante o discurso na Alesp, Fabiana argumentou contra a eleição de Erika Hilton para a Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados e usou a prática racista de blackface.
“Eu sou uma mulher. Não adianta se travestir de mulher. Eu não estou aqui ofendendo transexual, muito pelo contrário, eu estou dizendo ‘eu sou mulher, quero ser vista como mulher. A mulher do ano não pode ser transsexual’.”
As falas transfóbicas e o uso de blackface motivaram deputados estaduais a protocolar pedido de cassação de Fabiana Bolsonaro no Conselho de Ética da Alesp.
Uso do sobrenome
Apesar de adotar o sobrenome do ex-presidente Jair Bolsonaro, a parlamentar não possui parentesco com ele. O nome completo é Fabiana de Lima Barroso, e a escolha do “Bolsonaro” se deu, segundo ela, por afinidade ideológica.
Fonte: Agência Brasil
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