Sergipe apresentou o projeto Caminhando Juntos durante o II Congresso Nordeste Transplantes, realizado de 25 a 28 de março, em João Pessoa (PB), e ganhou projeção pelos avanços na área de doação e transplantes de órgãos e tecidos.
O secretário de Estado da Saúde, Jardel Mitermayer, ressaltou que a presença no encontro regional é estratégica para ampliar o acesso da população aos procedimentos.
“O estado trabalha para ampliar sua capacidade, com a retomada de procedimentos importantes, como os transplantes de coração, além de consolidar os já realizados, como rim e fígado. Esses resultados demonstram que, mesmo sendo o menor estado da região, Sergipe tem apresentado crescimento expressivo, fruto de planejamento, investimento e do trabalho integrado das equipes de saúde”, destacou o secretário.
Desempenho reconhecido
Na mesa em que apresentou dados sobre a região, a vice-presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), Ilka Boins, apontou que Sergipe supera as médias do Nordeste e do Brasil em notificações de potenciais doadores e doadores efetivos por milhão de habitantes, além de ocupar a segunda colocação nordestina em transplantes de córneas.
“Esse avanço é resultado do trabalho da Central Estadual de Transplantes, aliado ao empenho dos profissionais e ao investimento contínuo na capacitação de recursos humanos”, afirmou.
A coordenadora geral do Sistema Nacional de Transplantes, Patrícia Freire, também elogiou o desempenho sergipano.
“Sergipe vem avançando na resolução de um dos nossos grandes desafios, que são os transplantes de córneas. A fila, que antes era extensa, vem sendo reduzida de forma significativa, colocando o estado entre aqueles que caminham para zerar essa demanda”, declarou.
Caminhando Juntos
Coordenado pela Central de Transplantes de Sergipe (CET/SE), o Caminhando Juntos começou a ser executado no segundo semestre de 2024, após recomposição da equipe com assistente social e psicóloga, e tem foco no acompanhamento emocional de famílias de doadores.
“O projeto nasce com o propósito de acolher, ouvir e apoiar. Entendemos que, por trás de cada decisão de doação, existe uma família que precisa ser cuidada”, explicou o coordenador da CET/SE, Benito Fernandez, moderador da mesa sobre saúde mental de profissionais e famílias doadoras.
Para Edilson da Silva, que autorizou a doação das córneas da mãe, a iniciativa contribuiu para amenizar o luto.
“A visita fez diferença aqui em casa, principalmente para o meu pai. A presença da equipe e a conversa com a psicóloga ajudam a acolher e aliviar a dor”, relatou.
Experiência semelhante foi compartilhada por Yuri Belchior, cujo pai teve as córneas doadas.
“No meio da dor da despedida, saber que algo do meu pai levaria luz e esperança para outras pessoas trouxe sentido e conforto”, disse.
Números de doações e transplantes
Dados da Central Estadual de Transplantes de Sergipe revelam que, entre janeiro e dezembro de 2025, o estado registrou 55 doadores. Nesse intervalo, foram disponibilizados 23 corações (6 transplantados), 54 fígados (29 transplantes) e 87 rins (68 procedimentos). Em córneas, 281 foram captadas e 216 implantadas.
Entre 1º de janeiro e 6 de março de 2026, Sergipe contabilizou 10 doadores, com oferta de 8 corações (3 transplantados), 12 fígados (8 utilizados) e 25 rins (17 procedimentos). No mesmo período, 35 córneas foram captadas e 18 transplantadas. Houve crescimento no número de doadores em relação ao início de 2025, passando de 9 para 13, evidenciando maior conscientização sobre a doação de órgãos.
Fonte: Saude.se.gov
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