Dacar sediou o 10º Fórum Internacional de Dacar sobre Paz e Segurança na África, encontro de dois dias que terminou em 21/04/2026 e reuniu chefes de Estado e representantes de 38 países — entre eles 18 nações africanas — além de integrantes de dez organismos internacionais. O Brasil esteve representado pela embaixadora no Senegal, Daniella Xavier.
A capital senegalesa, com população metropolitana próxima a 4 milhões de habitantes e situada a cerca de 2,9 mil quilômetros do Brasil, recebeu delegações para debater desafios de segurança, integração regional e soberania, conforme estabelecido na agenda do evento promovido em Dacar. O fórum teve como objetivo diagnosticar problemas, promover intercâmbio de soluções e afirmar o papel do Senegal na região.
Histórico de paz e estabilidade
Na abertura, o presidente Bassirou Diomaye Faye qualificou Dacar como “uma capital do diálogo estratégico africano e internacional”, dedicada a refletir e trocar ideias sobre respostas endógenas às questões de segurança. O chefe do Escritório da ONU para a África Ocidental e Sahel, Leonardo Santos Simão, ressaltou a trajetória do Senegal como exemplo de estabilidade na região e observou o contexto de turbulência que afeta partes do continente.
O Índice de Terrorismo Global de 2026 indica que a região do Sahel concentrou mais da metade das mortes por terrorismo em 2025, com maior incidência em Mali, Burkina Faso e Níger. Além desses países, a sub-região inclui Senegal, Gâmbia, Mauritânia, Guiné, Chade, Camarões e Nigéria.
Sul Global
Simão também destacou a participação do Senegal no agrupamento conhecido como Sul Global, espaço defendido pelo Brasil para articular nações em desenvolvimento. Segundo ele, o Sul Global funciona tanto como fórum interno para identificar desafios comuns quanto como mecanismo de interlocução com o Norte Global, e enfatizou o crescimento da coesão entre esses países e a importância da soberania nacional.
Soft power
O professor Carlos Lucas Mamboza, especialista em Estudos Estratégicos, Segurança e Defesa, avaliou que a realização do fórum constitui um instrumento de soft power, ao projetar a imagem de um Estado estável, com instituições capazes de mediar conflitos na zona do Sahel e em outras partes da África. O tema da edição foi “África enfrenta os desafios da estabilidade, integração e soberania: Quais soluções sustentáveis?” e incluiu agenda sobre mudanças climáticas, pandemias, criminalidade transnacional, cibersegurança e tecnologia.
América do Sul
Mamboza observou também a aproximação diplomática entre Senegal e países da América do Sul, citando a participação do país na Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas). Há menos de duas semanas, o Brasil assumiu a liderança do grupo em evento no Rio de Janeiro, reforçando a conexão entre interesses do Senegal e do Brasil, incluindo apoio a reformas na governança global, como mudanças no Conselho de Segurança da ONU.
Estados Unidos e minerais críticos
A delegação dos Estados Unidos, representada pelo subsecretário adjunto do Departamento de Estado, Richard Michaels, reconheceu o papel do Senegal em questões de segurança regional e afirmou que Washington busca redefinir relações com parceiros africanos com base em comércio mútuo. Michaels declarou interesse em participar da cadeia de exploração de minerais críticos na África, apontando o continente como central na corrida por esses recursos.
O repórter viajou a convite do Ministério da Integração Africana, Negócios Estrangeiros e Senegaleses no Estrangeiro.
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