O governo federal lançou, em 12 de maio de 2026, o programa Brasil Contra o Crime Organizado, que reúne ações para combater estruturas criminosas em todo o país. Entre as medidas anunciadas estão o reforço das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), a aquisição de equipamentos e a elevação de 138 unidades prisionais ao padrão de segurança máxima dos presídios federais. O cronograma prevê operações integradas mensais e a instalação, até setembro de 2026, de comitês estaduais de investigação financeira e recuperação de ativos.
Segundo o Palácio do Planalto, a estratégia nacional será estruturada em quatro eixos e contará, ainda em 2026, com R$ 1,06 bilhão em investimentos diretos, além de uma linha de crédito de R$ 10 bilhões. As quatro frentes de ação são: asfixia financeira do crime organizado; fortalecimento do sistema prisional; qualificação das investigações de homicídios; e enfrentamento ao tráfico de armas, munições, acessórios e explosivos. Mais informações sobre o lançamento podem ser conferidas na .
Articulação intergovernamental
O plano prevê maior articulação entre as esferas federal, estaduais e municipais para potencializar investimentos e operações contra os comandos e a base econômica das facções criminosas. O Executivo ressaltou que a iniciativa não tem por objetivo substituir as atribuições de governadores ou das polícias estaduais.
Financiamento
Além do aporte público de R$ 1,06 bilhão, o programa cria uma linha de crédito de R$ 10 bilhões, operacionalizada pelo Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social (Fiis), criado em 2024. Estados e municípios poderão contratar recursos para aquisição de viaturas, motocicletas, embarcações, equipamentos de proteção, drones, sistemas de radiocomunicação, videomonitoramento, scanners corporais, reformas de prisões, bloqueadores de sinal, equipamentos de perícia e soluções tecnológicas específicas.
Eixos e investimentos
O primeiro eixo, focado no estrangulamento financeiro das redes ilícitas, terá R$ 388,9 milhões. Prevê fortalecimento das Ficco, criação de uma força nacional (Ficcos) para operações interestaduais de alta complexidade, instalação de Comitês Integrados de Investigação Financeira e Recuperação de Ativos (CIFRA) em outras unidades federativas, uso de ferramentas avançadas de extração de dados e ampliação da alienação antecipada de bens com leilões centralizados no Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O segundo eixo destinará R$ 330,6 milhões em 2026 para ampliar o controle sobre unidades prisionais estratégicas, com o objetivo de interromper a articulação criminosa a partir das prisões. A proposta inicial é elevar 138 estabelecimentos, cerca de 10% do total de unidades prisionais do país, ao padrão de segurança máxima. O ministério informou que 80% das lideranças identificadas cumpririam pena nessas unidades. Entre as medidas estão aquisição de drones, scanners e bloqueadores, criação do Centro Nacional de Inteligência Penal (CNIP), operações para retirada de celulares e armas, reforço das agências de inteligência penitenciária e capacitação de servidores.
O terceiro eixo, voltado à qualificação das investigações de homicídio, receberá aproximadamente R$ 201 milhões para fortalecer polícias científicas, estruturar e qualificar Institutos Médico-Legais (IMLs), consolidar a Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos e articular o Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab). O programa prevê também a compra de equipamentos laboratoriais, freezers científicos, viaturas refrigeradas e material para perícia genética e balística.
O quarto eixo destinará cerca de R$ 145 milhões ao enfrentamento do comércio ilegal de armas, munições e explosivos, com ações de rastreamento e investigação, criação da Rede Nacional de Enfrentamento do Tráfico de Armas, Munições, Acessórios e Explosivos (Renarm), fortalecimento do Sistema Nacional de Armas (Sinarm), aparelhamento de delegacias especializadas e operações integradas contra tráfico e desvio de armamentos.
Operações e prazos
O cronograma prevê operações mensais integradas entre as Ficcos estaduais e a Ficco nacional, além da instalação dos CIFRAs estaduais até setembro de 2026.
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