O mercado de trabalho brasileiro gerou 85.888 empregos com carteira assinada em abril, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em 28/05/2026. O número representa uma forte perda de fôlego na comparação com março, quando foram criadas 227.974 vagas formais, queda de 62,3%.
O resultado também ficou 63,9% abaixo do registrado em abril de 2025, mês em que foram abertos 238.216 postos. Entre todos os meses de abril desde 2020, este só supera o de 2020, quando a pandemia levou ao fechamento de 981.342 vagas.
No acumulado de janeiro a abril, o saldo positivo chega a 699.762 contratações, 23,4% menor que as 913.827 registradas nos mesmos quatro meses de 2025. Os dados incluem ajustes realizados após o recebimento de declarações fora do prazo pelas empresas.
Três dos cinco grandes setores da economia puxaram o saldo para cima. Serviços lideraram a criação, com 69.601 novos postos, impulsionados principalmente pelo segmento de saúde humana e serviços sociais, que abriu 18.150 vagas. Transporte, armazenagem e correio acrescentou outras 12.235 oportunidades.
A construção civil, tradicional termômetro de investimentos, adicionou 23.525 empregos. O destaque veio dos serviços especializados para construção (+8.745) e da construção de edifícios (+7.397). Já a indústria registrou saldo de 9.256 postos, beneficiada pela fabricação de álcool (+4.522), abate e fabricação de produtos de carne (+2.333) e fabricação de automóveis, caminhonetes e utilitários (+1.849).
Por outro lado, agropecuária (-8.378) e comércio (-8.114) fecharam o mês no vermelho. No campo, o fim da safra de soja e a desmobilização de colheitas de maçã e laranja explicam a redução. No comércio, abril costuma ser um período fraco depois do movimento aquecido do início do ano.
O recorte regional mostra abertura de vagas em todas as cinco regiões. O Sudeste liderou com 44.545 novos postos, seguido de Nordeste (18.714), Centro-Oeste (10.890), Norte (6.651) e Sul (4.449). Entre os estados, 24 fecharam o mês no azul. São Paulo ficou no topo (+20.202), à frente de Rio de Janeiro (+11.741) e Minas Gerais (+8.991). As demissões superaram as admissões em Alagoas (-1.505), Rio Grande do Sul (-1.396) e Rio Grande do Norte (-1.396).
Com o resultado de abril, o estoque total de trabalhadores com carteira assinada alcançou 47.810.425, alta de 0,18% sobre março e de 2,26% em relação a abril de 2025.
Economistas atribuem a perda de ritmo à combinação de juros altos e desaceleração da atividade. Expectativas de cortes graduais na taxa básica ao longo do segundo semestre de 2026 poderão, na avaliação de analistas, dar algum alívio ao mercado de trabalho.
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