Na última quinta-feira, 28/05, o martelo bateu na B3, em São Paulo, e definiu o futuro de um dos principais corredores logísticos do Nordeste. O Consórcio 116 Sertões superou os concorrentes ao oferecer um abatimento de 19,60% na tarifa básica de pedágio, conquistando a concessão dos 502 quilômetros que formam a BR-116/324 entre Salgueiro (PE) e o anel rodoviário de Feira de Santana (BA).
O contrato, válido por 30 anos, prevê R$ 88,5 bilhões em investimentos, valor que inclui tanto custos operacionais quanto intervenções de grande porte para dar fluidez e segurança ao tráfego. Somente em ampliação e modernização da infraestrutura rodoviária serão aplicados R$ 4,1 bilhões.
A lista de obras ilustra a dimensão do projeto: 108 quilômetros serão duplicados; novas vias marginais surgirão para desafogar o trânsito local; retornos adicionais facilitarão manobras; e o aguardado contorno viário de Serrinha (BA) reduzirá o fluxo pesado no centro urbano. Haverá ainda sistemas inteligentes de monitoramento, dez bases de atendimento ao usuário equipadas para resgate e manutenção, além de ponto de parada e descanso pensado para motoristas profissionais, atendendo às normas de jornada da categoria.
O trecho, batizado de Rota dos Sertões, integra 16 municípios e conecta polos agropecuários, industriais e urbanos. Feira de Santana, considerado o principal entroncamento rodoviário do Norte-Nordeste, deve ganhar fôlego extra para escoar produção e receber insumos. Já Salgueiro reforça sua posição estratégica ao servir de elo entre o litoral e o interior pernambucano.
Segundo o edital, o critério vencedor foi o maior desconto tarifário sobre o preço de referência. A modelagem foi elaborada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em parceria com o Ministério dos Transportes e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
“Nosso compromisso é com a segurança jurídica e a entrega de uma rodovia que realmente chegue à ponta, atendendo quem vive e trabalha neste importante corredor entre a Bahia e Pernambuco”, afirmou o diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Rodrigues da Rocha Sampaio.
Com o leilão concluído, a ANTT inicia a fase de habilitação de documentos, assinatura do contrato e transição operacional. O objetivo é garantir que os serviços de manutenção, socorro mecânico e atendimento médico não sofram descontinuidade enquanto as obras de duplicação e modernização avançam.
Especialistas do setor de infraestrutura avaliam que a previsibilidade de três décadas de concessão estimula a adoção de tecnologias de ponta e atrai novos investimentos ao redor da malha. Para motoristas e transportadoras, a expectativa é de redução no tempo de viagem, menor custo operacional e, sobretudo, mais segurança ao longo da rota.
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