O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou nesta segunda-feira, 1º de junho, o relatório de conclusão da missão anual realizada no Brasil. O documento reforça a avaliação de que o país atravessa um período de “notável resiliência” diante de sucessivos choques externos e internos, principalmente os decorrentes da guerra no Oriente Médio e da volatilidade dos mercados financeiros globais.
De acordo com a equipe liderada por Daniel Leigh, chefe da missão, a economia brasileira está relativamente protegida da alta internacional do petróleo graças ao status de exportadora da commodity e à matriz elétrica fortemente baseada em fontes renováveis. Esses fatores ajudam a conter pressões inflacionárias e fortalecem a balança comercial.
“Os indicadores apontam para uma recuperação econômica no início de 2026, levando a um fortalecimento gradual do crescimento para cerca de 2,5% no médio prazo”
O FMI, no entanto, pondera que o cenário mundial permanece arriscado. Conflitos geopolíticos prolongados e possível aperto adicional nas condições financeiras podem dificultar o acesso a crédito e desvalorizar ativos de países emergentes.
“Os riscos para as perspectivas de crescimento estão inclinados para o lado negativo, incluindo a deterioração das tensões geopolíticas e o aperto das condições financeiras”
Apesar das incertezas, a instituição destaca quatro pilares que sustentam a resiliência brasileira: arcabouço institucional sólido, sistema bancário capitalizado, elevado volume de reservas internacionais e regime cambial flexível. Segundo o relatório, esses elementos fornecem colchão para absorver choques sem comprometer a trajetória de crescimento.
No campo monetário, o relatório considera adequada a redução da taxa básica de juros promovida pelo Banco Central em março e abril. Contudo, frisa a necessidade de cautela diante da persistência de choques de oferta que mantêm a inflação acima do centro da meta.
“Manter a flexibilidade em futuras medidas de política monetária é justificado, dada a elevada incerteza e as novas pressões inflacionárias decorrentes dos altos preços globais da energia”
Na área fiscal, a orientação é clara: preservar receitas extraordinárias do petróleo e avançar em reformas estruturais para garantir a sustentabilidade da dívida pública. A recomendação inclui destinar parte dos recursos a investimentos prioritários em infraestrutura, educação e transição energética.
“Preservar as receitas extraordinárias provenientes do petróleo fortalecerá a sustentabilidade da dívida pública, reduzirá os custos de empréstimo e criará espaço para investimentos prioritários”
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, participou do encontro de encerramento da missão, realizado na última sexta-feira, 29 de maio, em Brasília. Ele reiterou o compromisso do governo com a responsabilidade fiscal e metas ambiciosas de crescimento:
“Nossa principal meta é alcançar crescimento anual sustentável de pelo menos 4%, impulsionado por ganhos de produtividade e eficiência do Estado”
Durigan afirmou ainda que o diálogo com o FMI apoia os esforços para equilibrar as contas públicas, controlar a inflação e, ao mesmo tempo, fortalecer programas sociais e a proteção ambiental. Para o ministro, a execução de reformas administrativas e tributárias continuará no centro da agenda governamental ao longo de 2026.
O relatório do FMI conclui que, mantidas políticas prudentes e ampliadas as reformas, o Brasil pode combinar estabilidade macroeconômica com crescimento mais inclusivo, reduzindo desigualdades regionais e ampliando oportunidades de investimento. A próxima avaliação anual do Fundo está prevista para maio de 2027.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.









