Em 1º de junho de 2026, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, confirmou o aporte de R$ 25,7 milhões para um amplo programa de modernização da cadeia produtiva da malva na Amazônia. A iniciativa foi idealizada pela Companhia Têxtil de Castanhal (CTC), que há quatro décadas trabalha com fibras de juta no Pará e, mais recentemente, passou a desenvolver artigos combinando juta e malva.
Do total liberado, R$ 15,2 milhões — 60% do orçamento — serão repassados como subvenção econômica dentro do edital Finep Amazônia – Bioeconomia e Desenvolvimento Regional. O restante virá de contrapartidas da CTC e de parceiros privados.
A proposta contempla desde pesquisas genéticas até a criação de maquinário adaptado às condições de várzea, onde o cultivo ocorre. Estão previstos estudos para melhorar as cultivares, equipamentos de colheita e separação de sementes, além de plataformas digitais de gestão agrícola. Também haverá testes em todas as etapas, com o objetivo de elevar a qualidade da fibra e abrir novos mercados além de sacarias, cordas e tapetes.
“É uma cadeia que ainda sofre com baixa tecnificação, do plantio ao beneficiamento. Queremos mudar esse cenário, gerando mais renda e segurança aos ribeirinhos”, destacou Rodrigo Secioso, superintendente da área de Cadeias Agroindustriais e Defesa da Finep.
Hoje o processo é feito quase todo à mão: as sementes são lançadas nos leitos dos rios durante a vazante; na cheia seguinte, os produtores colhem, montam feixes e submergem a fibra por cerca de dez dias até a retirada para secagem em varais artesanais. A falta de infraestrutura adequada para transporte, prensagem e armazenamento gera perdas e reduz a competitividade.
O programa reúne, além da CTC, três instituições científicas, tecnológicas e de inovação — Universidade Federal da Amazônia, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) — e quatro empresas: Bioverse, Supernova, MGK Equipamentos e LABB41.
“Quando o governo divide o risco da inovação com empresas e centros de pesquisa, abre espaço para soluções tipicamente brasileiras que beneficiam diretamente as comunidades”, avaliou Elias Ramos, diretor de Inovação da Finep.
A malva ganhou visibilidade internacional depois que a atriz brasileira Alice Carvalho desfilou no Oscar com um vestido produzido em tecido de juta e malva pela CTC. Com a nova rodada de investimentos, a empresa espera colocar no mercado coleções de alto valor agregado e consolidar a fibra amazônica no cenário global da moda sustentável.
Paralelamente, serão implantados projetos-piloto de negócios comunitários voltados a agricultores ribeirinhos, permitindo replicação em outras regiões de várzea. A expectativa é aumentar a produtividade, reduzir perdas pós-colheita e atrair novos compradores, aquecendo a economia regional sem comprometer a floresta.
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