O mercado financeiro brasileiro abriu o mês de junho sob o signo da cautela. Na segunda-feira, 1º de junho de 2026, o Ibovespa terminou o pregão aos 172.197 pontos, queda de 0,91%. Trata-se do quinto recuo consecutivo e do nível mais baixo registrado desde 21 de janeiro, sinalizando a perda de fôlego dos ativos domésticos em meio a um cenário global de tensão geopolítica.
A aversão ao risco ganhou força após o Irã interromper negociações indiretas com os Estados Unidos e ventilar a possibilidade de bloquear o Estreito de Ormuz. O movimento elevou a preocupação com o abastecimento mundial de petróleo, impulsionando a cotação da commodity e redirecionando parte dos fluxos financeiros para investimentos considerados mais seguros, como títulos do Tesouro norte-americano.
No pregão da B3, ações de mineradoras e bancos exerceram a maior pressão negativa sobre o índice. Já os papéis da Petrobras avançaram e ajudaram a atenuar a perda do indicador, acompanhando a disparada do petróleo no exterior. O Brent encerrou o dia cotado a US$ 94,98, alta de 4,2%, enquanto o WTI subiu 5,5%, para US$ 92,16 o barril. Durante a sessão, ambos os contratos chegaram a saltar mais de 6%, mas devolveram parte dos ganhos após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que indicou esforços para evitar uma escalada maior do conflito.
No câmbio, o dólar comercial contrariou o ambiente externo e recuou 0,39%, encerrando a R$ 5,023. Apesar da valorização do índice DXY – que mede o desempenho da moeda norte-americana ante uma cesta de divisas de países desenvolvidos – o real foi beneficiado pela perspectiva de aumento de divisas no país com a valorização do petróleo, commodity da qual o Brasil é exportador líquido. No acumulado de 2026, a divisa dos EUA registra desvalorização de 8,5% frente ao real.
Analistas destacam que o clima de incerteza geopolítica tende a manter o mercado volátil. A elevação dos prêmios de risco nos papéis de mercados emergentes reflete a combinação de juros globais ainda altos e ameaça de restrições no fornecimento de energia. Enquanto isso, investidores locais monitoram indicadores fiscais e esperam sinais mais claros de trajetória de inflação para calibrar as apostas sobre a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
Para os próximos dias, a agenda prevê a divulgação de dados de produção industrial no Brasil e de mercado de trabalho nos Estados Unidos, que podem trazer nova rodada de ajustes de preço. Caso se confirme a continuidade da pressão sobre o petróleo, analistas não descartam revisões nas projeções de inflação, o que pode influenciar tanto a curva de juros quanto o ritmo de recuperação da bolsa.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.









