O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), acusou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de conspirar para tirá-lo do Palácio do Planalto e qualificou como péssima a atuação do deputado.
“Lamento muito a posição do Rodrigo Maia, que resolveu assumir o papel do Executivo. Ele tem que me respeitar como chefe do Executivo. Qual o objetivo do senhor Rodrigo Maia? Resolver o problema ou atacar o presidente da República? O sentimento que eu tenho é que ele não quer amenizar os problemas. Ele quer atacar o governo federal, enfiar a faca”, disse Bolsonaro em entrevista à CNN, nesta quinta-feira (16).
Na ocasião, o presidente comentava a aprovação pela Câmara de um projeto de socorro aos estados. A proposta determina que a União irá transferir R$ 80 bilhões, segundo cálculos de líderes partidários, por seis meses, como forma de compensação pelas perdas de ICMS (imposto estadual) e ISS (municipal) diante da crise econômica.
O presidente da República reclamou de falta de diálogo da parte de Maia e afirmou que o presidente da Câmara “está conduzindo o país para o caos”. Bolsonaro insinuou outros interesses da parte de Maia, mas não detalhou. “A gente sabe seu tipo de diálogo. Este diálogo não vai ter comigo.”
Outro lado
Na mesma emissora, Maia rebateu as acusações. O deputado afirmou que Bolsonaro usou “um velho truque da política” de trocar a pauta para tentar desviar a atenção da demissão de Mandetta. Ele disse ainda que busca evitar que se repita no Brasil o mesmo que está acontecendo nos Estados Unidos, na Espanha e na França, onde o número de mortos pela Covid-19 subiu muito nas últimas semanas.
“Independente de questões políticas, nunca deixei de dialogar com quadros técnicos de ninguém”, afirmou. “Agora, também não podemos aceitar que apenas uma visão de Brasil sobre a crise prevaleça. O que prevalece é o diálogo”, afirmou.
Maia também afirmou que o governo politiza as decisões do Legislativo, mesmo as que favorecem o Executivo, mas descartou retaliações. “Não há nenhuma intenção da Câmara de prejudicar o governo, de enfrentar o governo. Queremos sentar na mesa com urgência com pautas preestabelecidas. O presidente não vai ter de mim ataques. Ele pode atacar, ele joga pedra e o Parlamento vai jogar flores para o governo federal”.
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