A Procuradoria-Geral do Estado do Rio articulou a liberação de cerca de R$ 153 milhões recuperados em ação do MPF. R$ 114 milhões serão destinados à segurança pública; repasse final depende de trâmites orçamentários.
O estado do Rio de Janeiro deverá receber de volta aproximadamente R$ 153 milhões desviados em esquemas de corrupção, conforme resultado de ação penal proposta pelo Ministério Público Federal (MPF). A liberação foi articulada pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE-RJ) e, segundo o órgão, os valores já se encontram disponíveis para uso, embora o repasse efetivo aos cofres fluminenses ainda precise obedecer aos trâmites de execução orçamentária.
Do montante total, R$ 114 milhões irão para a área de segurança pública. A previsão inclui a compra de veículos blindados e a modernização de equipamentos utilizados por forças policiais. Os R$ 39 milhões restantes serão destinados à Controladoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro, responsável por reforçar mecanismos de auditoria, fiscalização e transparência.
Autoridades estaduais celebram o resultado como fruto de um trabalho conjunto entre o MPF, a PGE-RJ e a Justiça Federal. De acordo com o procurador-geral do Estado do Rio, Bruno Dubeux, o ressarcimento demonstra a importância da cooperação institucional em processos de combate à corrupção.
“A atuação coordenada é fundamental para proteger o patrimônio público e assegurar que os recursos sejam destinados a áreas estratégicas, em benefício da sociedade fluminense.”
O histórico de recuperações vem ganhando volume ao longo de 2026. No início de setembro, a PGE-RJ obteve vitória em outra ação que permitirá ao governo reaver valores relacionados a ilícitos que impactaram a área da saúde. Esses recursos estavam depositados judicialmente desde 2021 e aguardavam definição sobre sua destinação.
Já em junho deste ano, a mesma procuradoria anunciou a recuperação de R$ 70 milhões por meio de acordos de delação premiada e de leniência firmados no contexto de processos originados na Operação Lava Jato. Na ocasião, o montante também estava retido pela Justiça desde 2024 e só pôde ser liberado após negociação que garantiu a vinculação das verbas a projetos de interesse público.
A PGE-RJ afirma que continuará acompanhando diversos outros processos de grande repercussão, sobretudo aqueles ligados à saúde e às obras de infraestrutura. O objetivo, segundo o órgão, é acelerar a devolução de quantias que permaneceram anos bloqueadas por conta de investigações de corrupção.
Em paralelo, investigações que apuram o uso de empresas de fachada para lavar dinheiro de organizações criminosas seguem em curso. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos recentemente pela Polícia Federal, em operação que desarticulou um esquema financeiro associado a facções. As autoridades não divulgaram ainda o valor potencial de danos a ser reparado nesses casos.
Com a chegada dos R$ 153 milhões, o governo fluminense projeta reforçar programas voltados à redução da criminalidade e ao aprimoramento de auditorias internas. As secretarias envolvidas destacam que o cumprimento do cronograma de investimentos dependerá de consultas ao Tribunal de Contas e de ajustes no planejamento orçamentário de 2026, mas garantem que as primeiras aquisições na área de segurança deverão ocorrer ainda neste semestre.
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