Ministério adotará GLP-1 (semaglutida) com protocolo para indicar e acompanhar tratamentos. Medida segue bons resultados no Grupo Hospitalar Conceição (Porto Alegre) desde junho.
Medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP‑1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, serão distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com obesidade. A oferta será feita com base em estudos clínicos e na definição de um protocolo que orientará a indicação e o acompanhamento dos tratamentos.
O Ministério da Saúde avaliou como positivos os primeiros resultados observados em pacientes do Grupo Hospitalar Conceição, unidade da rede pública de Porto Alegre, que foram selecionados desde junho para uso da semaglutida, um dos princípios ativos dessa classe de medicamentos. Esses dados preliminares embasarão a ampliação do acesso via SUS e a elaboração de diretrizes clínicas.
“O objetivo é garantir maior segurança aos participantes [do estudo] e estabelecer diretrizes para o acompanhamento contínuo por médicos especialistas da unidade. Ao todo, serão acompanhados 250 pacientes do SUS atendidos pelo hospital com obesidade grave ou associada a outras morbidades”
A proposta inclui o acompanhamento de 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou com outras comorbidades associadas. O protocolo previsto definirá critérios de elegibilidade, esquema terapêutico, tempo de tratamento e rotinas de monitoramento por especialistas responsáveis pelo cuidado clínico dos pacientes.
Entre as situações avaliadas no estudo estão pacientes que estão na fila para cirurgia bariátrica. A intenção é verificar se o uso da semaglutida é capaz de controlar o quadro de obesidade a ponto de tornar a cirurgia desnecessária para alguns casos. Além disso, o estudo busca analisar efeitos na redução de problemas cardíacos e na reincidência de câncer de mama, entre outras possíveis desfechos clínicos relevantes.
Especialistas que acompanham o estudo vão monitorar parâmetros de segurança e eficácia, além de orientar a equipe quanto à gestão de efeitos adversos e à continuidade do tratamento. A definição do protocolo clínico será determinante para a padronização do uso no SUS e para a ampliação do acesso, caso os resultados se mantenham positivos.
A iniciativa representa um movimento do sistema público de saúde para incorporar, de forma regulada e baseada em evidência, medicamentos recentemente enfatizados pela mídia e pela comunidade científica no tratamento da obesidade. As decisões sobre oferta ampla dependerão da consolidação dos dados e da aprovação do protocolo que orientará a prescrição e o acompanhamento dos pacientes.
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