Em Sergipe, não tem quem não o conheça. Jouberto Uchôa de Mendonça é sinônimo de humildade, ética e inspiração para muitos. A trajetória, a carreira e os exemplos de vida dele são reconhecidos diariamente pela população sergipana, por amigos e admiradores no Brasil e no exterior, e, sobretudo, pelos milhares de estudantes e colaboradores que, no presente ou no passado, conviveram com ele e com seu legado, mesmo que de forma indireta.
No último dia 17, na quadra do campus Farolândia da Universidade Tiradentes (Unit), colaboradores mais antigos da instituição testemunharam um pouco mais da relação do reitor com a família — como esposo, pai, avô e bisavô — em uma cerimônia marcada pela emoção e pelo carinho.
Professor Uchôa falou emocionado ao agradecer a presença e o prestígio recebido durante a homenagem:
“Quero dizer a todos vocês e a quem não está aqui nesse momento: tenham a certeza da minha gratidão. Eu estou feliz, estou emocionado pela grandeza de tê-los aqui pensando em me abraçar. Que Deus proteja a todos e recebam a minha gratidão por tudo que vocês fizeram até hoje na instituição, sou eternamente grato. Jamais eu poderia sonhar com um prestígio desse que eu estou tendo aqui. Cada um de vocês é importantíssimo e eu estou aqui agradecendo a todos individualmente. Deus proteja a vocês e muito obrigado”
Para a esposa, Amélia Maria Cerqueira Uchôa, o encontro foi de grande gratidão. Ela disse que, por causa do grande número de colaboradores, foi feita a opção de convidar os mais antigos da casa para que pudessem partilhar histórias com o homenageado.
“Como a quantidade de colaboradores que temos, graças a Deus, é imensa, não ia caber todo mundo aqui, então tive a preocupação em chamar os mais antigos da Casa, que, com certeza, têm alguma história com Uchôa. Então, estamos muito felizes por todos estarem aqui conosco, celebrando esse momento tão especial para nossa família”
O filho Jouberto Uchôa de Mendonça Júnior destacou que o legado do pai está ligado às atitudes cotidianas e aos valores que orientam a universidade.
“A principal lição que ele deixa, nesses 90 anos muito bem vividos, está muito intrínseco aos valores da Universidade, que me chama muito a atenção, principalmente: Humildade e Valorização do Ser Humano. A gente enxerga isso no dia a dia dele, com o cuidado que ele sempre tem com as pessoas, o acolhimento que ele tem e a humildade de reconhecer um erro e pedir ajuda quando precisar. Isso tudo é muito próprio dele e isso ele tem trazido para nossa família ao longo desses 90 anos de vida. E eu estou muito feliz de estarmos celebrando isso hoje com todos para prestigiá-lo e dar esses parabéns, celebrando sua vida, a vida desse grande colecionador de almas”
Representando os netos, Jouberto Uchôa de Mendonça Neto falou sobre o afeto que une a família e ressaltou a alegria de ver o avô completando 90 anos com saúde e independentemente.
“É um prazer imenso ver tudo que foi construído ao longo de mais de seis décadas de trabalho. Mas, para nós, como netos, como família, o que é mais marcante nele é o carinho, é o amor transmitido, a admiração que nós temos pela pessoa dele, é a felicidade de vê-lo completando 90 anos com saúde, com uma certa independência, com um sorriso no rosto e tão querido assim pelas pessoas! Então não tem legado maior do que esse, o de deixar boas impressões e carinho em todos que estão ao redor. Carisma, honestidade e amor resumem o avô Jouberto Uchôa”
A trajetória pessoal e profissional de Jouberto Uchôa foi construída ao longo de décadas. Nascido em Aracaju, em 1936, ele foi criado pelos avós em Girau do Ponciano, interior de Alagoas, onde deu os primeiros passos na educação, apesar das condições adversas. Aos sete anos, voltou à casa dos pais na capital e concluiu o primário elementar em 1949. Em 1950, fez curso profissionalizante de tecelagem no Senai e trabalhou em fábricas do setor; chegou a atuar como funcionário da Prefeitura de Aracaju e foi enviado ao Rio de Janeiro para curso de Administração Pública.
O contato com a educação começou em 1954, quando passou a trabalhar em um antigo ginásio da capital, acumulando funções como vigilante, inspetor de alunos, professor de Matemática, secretário e diretor. Paralelamente, procurou especialização em cursos contábil e comercial na Escola Técnica de Comércio de Sergipe, na Escola Técnica de Comércio Tobias Barreto e na Campanha de Aperfeiçoamento do Ensino Secundário (Cades).
Em 1962, fundou o Ginásio Tiradentes, que evoluiu para colégio e ganhou sede própria na rua Lagarto em 1969. Em 1972, recebeu autorização para funcionar como faculdade, oferecendo inicialmente Administração, Economia e Ciências Contábeis. Nas décadas seguintes surgiram novos cursos, como Direito, Jornalismo, Odontologia, Sistemas de Informação e diversas licenciaturas. Em 1994, as Faculdades Integradas Tiradentes passaram a Universidade Tiradentes (Unit), instituição da qual Uchôa é reitor desde então.
Ao longo da vida, ele também seguiu estudando: formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) em 1972 e fez pós-graduações na Fundação Getúlio Vargas (FGV) em Administração de Unidades de Ensino e em Administração Pública. Essas realizações lhe renderam títulos e honrarias em reconhecimento ao trabalho pela educação e pelo desenvolvimento do estado. Em 2013, tomou posse na cadeira 23 da Academia Sergipana de Le

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