MPF reuniu reitoria e docentes da UFS em Aracaju para traçar ações de preservação dos acervos. O encontro, conduzido pelo procurador Ígor Miranda, avançou nas tratativas para implantar um museu público no estado.
O Ministério Público Federal (MPF) reuniu-se com a reitoria e docentes da Universidade Federal de Sergipe (UFS), na sede do órgão em Aracaju, para acompanhar a situação das reservas técnicas e traçar estratégias de preservação do patrimônio científico, cultural, paleontológico, arqueológico e biológico mantido pela instituição. Desde 2019, o MPF monitora a conservação dos acervos universitários e as tratativas para a criação de um espaço museológico aberto ao público no estado.
No encontro, conduzido pelo procurador da República Ígor Miranda, foram apontados desafios enfrentados por diferentes departamentos da universidade: limitações de espaço, ausência de padronização nos inventários e risco de deterioração de espécimes armazenados, como os da coleção de mastozoologia, dedicada ao estudo dos mamíferos. Para mitigar perdas antes da consolidação de um novo museu, ficou estabelecido um cronograma de ações imediatas e de médio prazo.
Entre as medidas de curto prazo, a Rede de Coleções Biológicas elaborará, até 5 de outubro, uma planilha detalhada com as necessidades mais urgentes de equipamentos e materiais de conservação. Em seguida, no dia 7 de outubro, a Reitoria da UFS realizará uma reunião interna para avaliar o diagnóstico e definir o cronograma de aquisições de itens essenciais — como aparelhos de ar-condicionado, desumidificadores, armários e recipientes para acondicionamento.
“A atuação busca contribuir para a construção de soluções capazes de assegurar a preservação, segurança e acessibilidade dos acervos, impedindo a deterioração ou perda de materiais atualmente existentes”
O procurador da República Ígor Miranda fez a ressalva acima ao destacar que as providências imediatas devem caminhar em paralelo com medidas estruturantes de longo prazo. No campo dessas soluções definitivas, o reitor da UFS, André Maurício Conceição de Souza, apresentou negociações em andamento com o governo federal para a cessão de um edifício da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) situado em área estratégica próxima à universidade.
A intenção da UFS é adaptar o imóvel subutilizado para abrigar o Museu de Ciências Naturais de Sergipe, espaço planejado para integrar exposição pública, pesquisa e extensão. A universidade comprometeu-se a repassar ao MPF a documentação e as minutas das tratativas até o final do ano. Caso a cessão do imóvel não se concretize, a UFS buscará alternativas para estruturar progressivamente reservas técnicas e espaços expositivos em seus próprios campi.
Para complementar fontes de financiamento, o MPF apresentou às equipes acadêmicas as regras de seu edital permanente para destinação de bens e valores decorrentes de acordos extrajudiciais e termos de ajustamento de conduta. A UFS também avaliará a captação de verbas por meio de emendas parlamentares e de obrigações de compensação ambiental.
O procedimento conduzido pelo MPF abrange ainda a fiscalização e a melhoria de estruturas no interior do estado, como o Museu Arqueológico de Xingó (MAX), em Canindé de São Francisco, além de instalações em Laranjeiras e São Cristóvão. O órgão destacou a relevância de consolidar inventários digitais, reforçar o controle de acesso e aprimorar a segurança física de todas as coleções arqueológicas, paleontológicas e biológicas sob guarda da UFS.
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