Em agosto, investidores aplicaram R$ 15 bilhões no Tesouro Direto em 1,32 milhão de operações, maior desde 2002. Ainda assim, resgates e vencimentos somaram R$ 17,22 bi, e a captação líquida ficou negativa em R$ 2,21 bi.
Em agosto, o Tesouro Direto alcançou o maior volume de investimentos desde o lançamento do programa, em 2002. Ao todo, R$ 15 bilhões foram aplicados pelos poupadores, distribuídos em 1,32 milhão de operações eletrônicas. O resultado superou com folga os números anteriores da série e reflete, segundo analistas, um apetite crescente por títulos públicos em meio à busca por segurança e liquidez.
No entanto, o mês encerrou com captação líquida negativa de R$ 2,21 bilhões. Isso ocorreu porque os resgates – que incluem o pagamento de vencimentos – somaram R$ 17,22 bilhões. O maior impacto veio do vencimento do Tesouro IPCA+ 2026, responsável por R$ 11,3 bilhões, além de R$ 1,5 bilhão em títulos IPCA+ com juros semestrais que também expiram em 2026.
Entre os papéis mais procurados, os títulos indexados à Selic mantiveram a liderança. As vendas do Tesouro Selic e do Tesouro Reserva totalizaram R$ 7 bilhões, equivalendo a 46,9% do movimento mensal. Na sequência, os títulos atrelados à inflação responderam por R$ 5,5 bilhões (36,3%), enquanto os prefixados acumularam R$ 2,5 bilhões (16,7%).
Os mesmos padrões apareceram nas recompras antecipadas: papéis ligados à Selic representaram R$ 3 bilhões (67,4% do total). Títulos de inflação movimentaram pouco mais de R$ 1 bilhão (22,9%), e os prefixados, R$ 423,6 milhões (9,7%).
Quando se analisa o prazo de vencimento, manteve-se a preferência por horizontes de curto a médio prazo. Títulos que expiram entre um e cinco anos responderam por 45,2% das vendas. Aqueles com prazo de cinco a dez anos ficaram com 43,2%, enquanto os de duração acima de dez anos representaram 11,7%.
A distribuição do valor das ordens mostra predominância das pequenas aplicações. Operações de até R$ 1 mil corresponderam a 55,7% do total, com tíquete médio de R$ 11.366,43.
No fechamento de agosto, o estoque do Tesouro Direto permaneceu praticamente estável, em R$ 272 bilhões – variação marginal em relação a julho (R$ 272,3 bilhões). Na comparação anual, porém, houve expansão de 43% frente aos R$ 190,2 bilhões registrados em agosto de 2025.
Os títulos indexados à inflação compõem a maior fatia da carteira, com R$ 128 bilhões (47,1%). Papéis ligados à Selic somam R$ 106,9 bilhões (39,3%), enquanto os prefixados alcançam R$ 37,1 bilhões (13,6%).
Quanto ao prazo de vencimento do estoque total, R$ 20,2 bilhões (7,4%) expiram em até um ano; R$ 131,4 bilhões (48,3%) vencem entre um e cinco anos; e R$ 120,5 bilhões (44,3%) têm prazo superior a cinco anos.
Em termos de base de participantes, o programa atingiu 3,83 milhões de investidores ativos, aumento de 23.962 em relação a julho e crescimento de 21,7% no comparativo anual. Já o cadastro total chegou a 36,44 milhões de CPFs, impulsionado pela entrada de 315.217 novos investidores em agosto. Em 12 meses, a adesão subiu 9,6%.
A perspectiva de manutenção dos juros em patamares elevados continua sustentando o interesse pelos papéis do Tesouro Direto, sobretudo os indexados à Selic. Especialistas avaliam que, mesmo com a expectativa de recuo gradual da taxa básica, os títulos públicos permanecem como opção atrativa para diversificação e proteção de carteira.
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