Ao embarcar da Casa Branca nesta quinta (1º), Trump disse acompanhar 'muito de perto' a disputa do primeiro turno e elogiou o Brasil. Questionado sobre preferência, preferiu não citar nomes.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira, 1º de outubro, que está atento à disputa presidencial no Brasil, cujo primeiro turno ocorrerá em três dias. A declaração foi feita na saída da Casa Branca, momentos antes de embarcar para o Texas, quando uma jornalista questionou o tema.
“Estou acompanhando muito de perto. O Brasil é um país muito importante. É um grande país. As pessoas no Brasil são fantásticas. É uma eleição muito importante”,
respondeu, evitando mencionar nomes de candidatos ou expressar preferência, como já havia feito em outras ocasiões eleitorais na região.
A fala acontece em um contexto de tensão diplomática recente entre Brasília e Washington. Nos últimos meses, autoridades brasileiras demonstraram preocupação com a possibilidade de ingerência estrangeira no processo eleitoral de 2026. Um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), divulgado em setembro, classificou como “nível de criticidade” o risco de interferência dos Estados Unidos.
O documento aponta que a reafirmação da influência estadunidense na América Latina figura como prioridade do segundo mandato de Trump. Segundo a Abin, a estratégia envolveria afastar concorrentes internacionais, sobretudo a China, de setores considerados estratégicos, como infraestruturas críticas e recursos naturais.
A mesma avaliação indica que, ao longo dos últimos meses, Washington teria intensificado ações direcionadas ao Brasil. Entre os exemplos citados estão medidas econômicas vistas em Brasília como desfavoráveis aos interesses nacionais.
Em julho, o governo brasileiro recusou vistos para dois representantes do Departamento de Estado norte-americano que desejavam se reunir com autoridades eleitorais brasileiras. O encontro seria dedicado à liberdade de expressão no período eleitoral, após episódios em que políticos brasileiros contestaram a segurança das urnas eletrônicas.
Analistas ouvidos por especialistas em segurança apontam riscos adicionais associados a possíveis operações cibernéticas e ao papel das grandes plataformas digitais na disseminação de informações durante a campanha.
Embora a Casa Branca não tenha emitido comunicado formal sobre as eleições no Brasil, a breve manifestação de Trump, ao reconhecer a relevância do pleito, reforça o interesse do governo norte-americano no cenário latino-americano. Até o momento, porém, não há sinal diplomático público que indique eventual endosso oficial a qualquer candidatura.
Com a votação marcada para o próximo domingo, o Tribunal Superior Eleitoral prepara o último ensaio para testar as 500 mil urnas que serão distribuídas por todo o território nacional. Paralelamente, a Polícia Federal intensifica o monitoramento de redes sociais, buscando identificar indícios de campanhas de desinformação ou ações coordenadas de influência estrangeira.
A três dias do primeiro turno, candidatos concentram agendas em debates televisivos e atos públicos derradeiros, enquanto eleitores acompanham atentamente possíveis movimentos de Washington. No campo diplomático, interlocutores brasileiros buscam minimizar atritos, ponderando que uma posição neutra de Trump evita agravar o ambiente político local.
Resta saber se, até o dia da eleição, novos episódios colocarão em xeque a já delicada relação bilateral ou se a postura observada nesta quinta-feira será mantida.
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