As inconsistências no currículo do ex-ministro da Educação, do economista Carlos Alberto Decotelli, e que geraram sua saída do cargo após uma semana depois de ser anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro não foi um caso isolado no governo. Outros ministros foram flagrados em situação semelhante e diferença no tratamento dado a Decotelli é visto como uma forma de racismo estrutural.
É o que diz o advogado e autor do livro ‘Racismo Estrutural’, Silvio Almeida, ao jornal Folha de São Paulo, nesta segunda-feira (6). Para ele o fato dos chefes das pastas do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que não possui mestrado em direito público, e da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, que afirma ser mestre em educação, mas sem apresentar instituições que deram o título, não terem deixado os cargos demonstra a ‘armadilha do racismo’.
“É ingenuidade ou falta de rigor analítico imaginar que um negro vai receber o mesmo tratamento de um branco, especialmente ao assumir uma posição de destaque na alta administração pública, em um dos ministérios mais cobiçados, seja por seu orçamento ou pela visibilidade que traz”, avalia ele.
Almeida afirma ainda que o tratamento diferenciado dado ao mesmo tipo de fraude curricular cometida por outros membros do governo não ameniza a gravidade do erro cometido por Decotelli, mas evidencia a falta de consciência racial do economista. Ele cita que existe uma cobrança excessiva sobre pessoas negras e que isso é uma expressão do racismo.
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