Em entrevista ao jornal britânico Financial Times veiculada neste domingo (26), o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, fez críticas ao governo Jair Bolsonaro (sem partido). Moro afirmou à publicação que sua presença entre os ministros foi uma “desculpa” para o Executivo mostrar que estava combatendo a corrupção. Porém, de acordo com ele, desde 2018 o que acontece é o contrário.
“Uma das razões para eu sair do governo foi que não estava se fazendo muito (contra a corrupção). Eles estavam usando minha presença como uma desculpa, então eu saí. A agenda anticorrupção tem sofrido reveses desde 2018”, disse Sérgio Moro.
Moro continuou afirmando que, para se combater a corrupção, é necessário respeitar as instituições e sua autonomia. Ele, inclusive, deixou o governo após acusações de interferência do Executivo na Polícia Federal. “Ele (Bolsonaro) mudou o diretor da Polícia Federal sem pedir minha opinião e sem uma boa causa. Não acho que dá para combater corrupção sem respeitar a lei e a autonomia das instituições que investigam e denunciam crimes”, pontuou.
O ex-ministro também fez críticas à aproximação com o Centrão, um grande bloco de partidos em Brasília. Nas últimas semanas, o presidente Jair Bolsonaro tem se mostrado mais próximos de membros de partidos deste bloco – algo que ele criticou ferrenhamente na campanha eleitoral de 2018. “No começo o governo parecia evitar esse tipo de prática, mas hoje em dia não tenho tanta certeza”, disse Moro.
Por fim, Sérgio Moro comentou o vazamento de mensagens atribuídas a ele para procuradores da Operação Lava Jato, enquanto ele trabalhava como juiz em Curitiba. O caso que ficou conhecido como “Vaza Jato” veio à público por meio de reportagens do The Intercept Brasil em 2019. “Não reconheço a autenticidade daquelas mensagens. Não havia nada lá que pudesse comprometer o caso”, finalizou.
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