O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chamou Organizações não Governamentais (ONGs) que atuam na área de “câncer” durante live, nesta quinta-feira (3). “Você sabe que as ONGs, em grande parte, não têm vez comigo. Boto para quebrar em cima desse pessoal lá, não consigo matar esse câncer, em grande parte, chamado ONG”, disse o presidente na transmissão semanal nas redes sociais.
O presidente ainda ironizou os questionamentos sobre os aumentos recordes das queimadas na região da e do Pantanal desde o ano passado. “O pessoal acha que está pegando fogo não sei onde e é só chegar lá e apagar, com um abafador, dar uma cuspida em cima da fogueira”, disse. Ele também minimizou o monitoramento feito por satélite dos focos de incêndio e afirmou que até “fogueira de São João” é contabilizada.
O avanço do desmatamento nas unidades de conservação da Amazônia no último ano – que, por lei, deveriam ser mais protegidas de devastação – foi ainda pior que na floresta como um todo. As perdas registradas nas áreas protegidas do bioma atingiram 1.008 km² entre agosto de 2019 e julho deste ano, alta de 40% em relação aos 12 meses anteriores.
Bolsonaro também voltou a dizer que quer desenvolver economicamente a Amazônia e repetiu que está disposto a receber capital externo para concretizar o plano, contudo frisou que, enquanto for presidente, ele é quem decidirá quais países iriam injetar recursos. “Nós estamos fazendo o possível para integrar a Amazônia, mas não é fácil”, afirmou.
O presidente reclamou que recebe “pancada o tempo todo” em cima do governo sobre a questão ambiental e disse que “canalhas” estão fazem campanha como se ele estivesse “colocando fogo na Amazônia”. Bolsonaro também rejeitou a possibilidade de ampliar a demarcação de terras indígenas para chegar a 20% do território. “Já imaginou? O País não aguenta. A gente acaba com o agronegócio nosso”, declarou sobre o assunto.
No mês de agosto, o Brasil apresentou o segundo pior resultado de queimadas na Amazônia dos últimos dez anos. Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que foram registrados 29.307 focos de calor no mês passado, volume acima da média histórica de 26 mil focos para este mês e 5% inferior aos 30.900 registrados no mesmo mês de 2019.
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