A repórter do The Intercept Brasil, Amanda Audi, acusou de estupro um professor da Universidade de Brasília (UnB), por meio de um desabafo publicado no Twitter, na terça-feira (3). A divulgação do caso aconteceu logo após a repercussão do caso da influenciadora Mariana Ferrer, humilhada durante o julgamento, sem intervenção do juiz.
Na publicação, a jornalista relatou a falta de confiança no sistema judicial e a sensação de impotência que sentiu. “Não quero entrar em detalhes sobre o que aconteceu, porque isso me faz muito mal (…) Quero apenas relatar a minha dolorosa sensação de impotência frente ao descaso com que polícia, MP e judiciário trataram o meu caso”, disse.
De acordo com Amanda, o fato ocorreu em outubro de 2019, mas resolveu revelar apenas agora. Ela alega que o caso não foi bem investigado pela polícia e que apenas uma das fontes foram procuradas.
“A polícia mal investigou: falou apenas com uma testemunha e abriu mão de falar com outras. O promotor Fábio Barros de Matos achou que era caso de ‘apenas duas pessoas confusas sobre suas intenções e sentimentos” e que “há considerável dúvida a respeito do dolo porque eu registrei o BO sete dias depois do que aconteceu”, explicou.
Segundo o Uol, a sentença do juiz afirma que o arquivamento do caso aconteceu por não “vislumbrar elementos mínimos para a propositura de ação penal”.
“Ao analisar as razões invocadas pelo Ministério Público tenho que não existe, de fato, qualquer elemento convincente a justificar a continuidade da persecução penal”, diz o texto.
Por fim, de acordo com a publicação, a defesa do professor afirma que ele está tranquilo quanto aos fatos, e que todos os documentos foram apresentados ao inquérito e “as testemunhas ouvidas que fizeram o Ministério Publico entender que ele não quis causar mal à Amanda”.
Nesta quarta-feira (4), a repórter anunciou que foi obrigada a apagar as publicações sobre o estupro que sofreu, após receber uma notificação dos advogados do professor universitário. “Tive que fazer isso pq não tenho condição de arcar com um processo”, disse.
A denúncia não foi aceita pelo Ministério Público.
Atualizada no dia 12 de novembro de 2020, às 17h57.
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