A advogada e escritora Rosangela Wolff Moro, esposa do ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro, defende o surgimento de alternativas na política, afirmando que é preciso “uma terceira via”. Em entrevista a Revista Marie Claire nesta sexta-feira (20), a advogada contou os ataques que sofre na internet e os detalhes da relação com Sergio Moro, que, segundo ela, começou com tensão e acabou em casamento. Ela também fala do seu novo livro, “Os Dias Mais Intensos – Uma História Pessoal de Sergio Moro” que é uma espécie de diário sobre a vida do ex-juiz e ex-ministro durante os anos da Lava Jato e do governo, tudo sob a perspectiva de Rosangela.
Rosangela conta detalhes de sua trajetória, de seu relacionamento com Sergio Moro e com o governo, comentando sobre o recente encontro de seu marido com Luciano Huck, uma eventual chapa em 2022, e por que não se importa mais com ataques digitais. Ao menos para mim, me pareceu mais à vontade do que em entrevistas anteriores que acompanhei, o que também se reflete nas imagens feitas presencialmente por Bob Wolfenson no apartamento em que mora com o marido e os filhos em Curitiba, que você pode ver ao longo desta reportagem.
Ela é autora de Regime Jurídico das Parcerias das Organizações da Sociedade Civil e a Administração Pública (Matrix, 2016) e Doenças Raras e Políticas Públicas: Entender, Acolher e Atender (Matrix, 2020), trabalhos técnicos ligados à sua principal área de atuação como advogada, o Direito Público.
Na entrevista, a esposa de Moro afirma que não se trata de uma biografia autorizada nem de uma tese acadêmica. “Quando ele decidiu sair do Ministério, eu precisava, de alguma maneira, colocar um ponto final nessas fases das nossas vidas”, me contou Rosangela de sua casa, em uma longa e conversa que durou duas horas, feita por meio de uma videochamada. “Juntei todas as anotações que havia feito desde 2014 [quando a operação teve início], recordações, memórias… e organizei o livro”. A obra, que será lançada oficialmente no próximo dia 27, traz, além das memórias, um álbum de fotos da família, incluindo o casamento dos dois, em 1999, a lua de mel, o casal de filhos e manifestações pró-Moro no auge do impeachment da presidente Dilma Roussef e as eleições de Jair Bolsonaro.
Rosangela também faz revelações, como o convite que recebeu da ministra Damares Alves para assumir um cargo no Ministério da Mulher e Direitos Humanos (que foi negado); os incômodos de Sergio como ministro, como a retirada do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) de sua pasta – foi a partir de dados extraídos dele que as investigações sobre Flavio Bolsonaro, o “01”, tiveram início –; como a instabilidade de Sergio no cargo ainda em 2019 fez com que ela decidisse não se mudar para Brasília com os filhos; entre muitos outros detalhes da política brasileira recente. Para quem acompanha com atenção a montanha-russa do governo Bolsonaro desde que o presidente assumiu o poder, o livro traz detalhes saborosos, embora não haja nada bombástico. A entrevista com Rosangela, no entanto, vai além da obra.
Questionada pela reportagem se ela se considera feminista, a escritora destaca que não gosta do rótulo feminista, mas acredita em direitos iguais. “Nada justifica a mulher receber menos pelo mesmo trabalho que um homem faz. Ou que tenha menos oportunidade por ser mulher, ou por ser uma pessoa com deficiência, por exemplo. Todos somos cidadãos iguais. É a maneira que eu penso”, disse ela.
Leia mais:
Moro defende escolha de candidatos íntegros e sem discurso de ódio
Moro e Huck negociam aliança para disputar Presidência em 2022, diz jornal
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.









