As vacinas para a covid-19 não são capazes de provocar alterações genéticas ou câncer. A informação foi divulgada pelo especialista em desenvolvimento de vacinas de DNA vírus pela Fiocruz, Rafael Dhalia, durante entrevista ao Projeto Comprova.
Na primeira semana de dezembro, o médico Alessandro Loiola divulgou um vídeo nas redes sociais, afirmando que as vacinas contra a covid-19 podem, na verdade, provocar danos genéticos potenciais em quem se imunizar.
No entanto, de acordo com Dhalia, a eficácia demonstrada nos testes por essas vacinas que utilizam as tecnologias adenovírus e RNA mensageiro, ambas citadas pelo médico no vídeo verificado pelo Comprova, é de 92 a 95%. E que elas não têm apresentado efeitos adversos graves.
“Embora todas elas tenham como base o material genético do vírus, nas vacinas de vetor viral esse material é transportado para nossas células por um vírus deficiente, que não causa doença grave. Enquanto as vacinas de RNA são transportadas para as nossas células dentro de partículas lipídicas”, explicou Dhalia.
Ainda segundo o especialista, também é enganosa a alegação de que as mesmas vacinas, para serem seguras, teriam de ser testadas durante 20 ou 30 anos. Pois, não há provas de que haja um tempo mínimo para que uma vacina seja desenvolvida para que possa ser considerada segura.
“Resultados mais recentes da empresa Moderna (vacina de RNA) demonstraram, inclusive, que dos 95 participantes do estudo que tiveram covid-19, 11 evoluíram para as formas graves. Nenhum desses recebeu a vacina. Demonstrando que esta vacina parece proteger inclusive das formas mais graves”, completou.
De acordo com o virologista Flávio Fonseca, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), “nosso organismo está acostumado a receber uma quantidade de material genético estrangeiro enorme e nossas células sabem como lidar com esses materiais genéticos”.
“No núcleo da célula tem várias enzimas que patrulham esse espaço corrigindo imperfeições no genoma e evitando que o material genético estrangeiro possa trazer algum problema. E isso é um resultado de milhões de anos de evolução para evitar que a gente seja sujeito a isso”, acrescentou.
A médica infectologista do Sírio Libanês, Gladys Prado, também explicou ao projeto que a vacina traz proteínas que estimulam o sistema imunológico enquanto nossos anticorpos reconhecem essas proteínas. Mas, quando uma pessoa é contaminada pelo coronavírus o processo é bem diferente: em vez de fortalecer o sistema imunológico, o vírus vindo da contaminação torna-se um “hospedeiro” e faz com que a célula trabalhe para ele.
Ainda na ocasião, a especialista em microbiologia que atua no Laboratório de Virologia Básica e Aplicada do Departamento de Microbiologia, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Jordana Coelho dos Reis, reforçou que os RNAs que estão sendo utilizados nos testes para algumas vacinas não têm a capacidade de alterar nosso DNA e que, portanto, são seguros.
“A gente pode confirmar com segurança, com pé no chão, tranquilamente que essas vacinas não representam um risco para câncer nesse sentido de alterar genoma, não tem a menor chance disso acontecer”.
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