Especialistas alertam para o risco da falta de oxigênio que aconteceu em Manaus se alastrar pelo Brasil, com a escalada de casos de coronavírus (covid-19). Para eles, existe a possibilidade de novas falhas no abastecimento do insumo no país, especialmente na Região Norte.
De acordo com o jornal O Globo, o professor de Gestão de Cadeia de Suprimentos do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Vinícius Picanço, afirmou que está acontecendo em Manaus, com a nova cepa, pode se repetir em outras localidades com limitações na infraestrutura de transportes, em parte do Nordeste e no interior.
“Não dá para dizer que era imprevisível a escassez. Por mais que a demanda tenha um comportamento exponencial, existem modelos matemáticos para isso. A questão envolve logística e previsão de estoque”, disse.
Para o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos, Jorge Nascimento, desde a semana passada, as grandes indústrias do estado doaram seus estoques de oxigênio para ser convertido em oxigênio medicinal, usado na rede pública de saúde.
Segundo ele, ao menos 20 grandes fabricantes com operações na Zona Franca de Manaus, se dispuseram a ajudar, mas não foi suficiente.
“Demora para chegar. Uma encomenda que saiu de uma fábrica de aço do Maranhão vai demorar no mínimo cinco dias para chegar porque tem de fazer parte do trajeto de barco. A Força Aérea Brasileira (FAB) tem operado voos a partir de Guarulhos, mas há limitação de quantidade do produto para transporte por via aérea porque é carga perigosa, nem toda aeronave está adaptada”, explicou.
Ainda de acordo com a reportagem, para os especialistas, pode haver falha na oferta de oxigênio em outras partes do país a depender do aumento de casos, mas o tempo de reação seria menor do que em Manaus.
O diretor comercial da empresa MAT Equipamentos para Gases, Jorge Mathuiy, a maior preocupação da falta de insumos para os hospitais é com outros estados da Região Norte, onde não há produção local de oxigênio.
“Estamos aumentando a produção de 22 mil cilindros por mês para 25 mil com um novo turno. Estamos preparados para o aumento da demanda”, disse.
Atualmente, a capital amazonense enfrenta um caos na rede de saúde após o aumento de casos de infecções aumentar a quantidade de pacientes nos hospitais. Apenas na sexta (15), Manaus registrou 213 mortes.
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