O Brasil continua na liderança do ranking de países que mais mataram pessoas trans no mundo em 2020. Segundo dossiê elaborado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), foram 175 travestis e mulheres trans assassinadas, 41% a mais do que os 124 homicídios registrados em 2019. Na média, é o equivalente a uma morte a cada dois dias.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (29), Dia Nacional da Visibilidade Trans. O que faz o número ser ainda mais nefasto é a comparação com outros anos: desde o início deste levantamento pela Antra no país, em quatro anos, 2020 foi o que mais registrou assassinatos de pessoas transexuais.
A maioria das mortes, mais precisamente 65%, foi de travestis que se prostituem. No recorte de raça, 78% dos assassinatos foram contra negras. As idades das vítimas variaram entre 15 e 29 anos, e 71% dos crimes aconteceram em locais públicos. Não há registro de assassinatos de homens trans no relatório.
As mortes foram causadas por armas de fogo em 50% dos casos, e 77% delas tiveram “requintes de crueldade”. Por fim, 72% das mortes foram causadas por pessoas que não tinham relação com as vítimas; e 70% da população de travestis e transexuais não conseguiram acesso às políticas emergenciais.
O estado com mais registros é São Paulo, com Ceará, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro vindo logo em seguida. Em regiões, com 43% dos casos, o Nordeste concentra a maioria.
Ao portal UOL, a secretária de articulação política da Antra, Bruna Benevides, afirmou: “As travestis e mulheres trans enfrentam violências por ousarem reivindicar seu lugar de mulher. É uma campanha de ódio que chamam de combate à ideologia de gênero”.
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