Tristeza excessiva, isolamento, depressão, bipolaridade e condições socioeconômicas são alguns dos fatores que podem levar uma pessoa a se suicidar, de acordo com a psicóloga especialista em transtornos de ansiedade, Mônica Maria (CRP-19/4080). Ao AjuNews, a profissional explicou a importância da campanha do Setembro Amarelo, que dá visibilidade e ajuda na prevenção do ato, principalmente, nesta sexta-feira (10), data em que é celebrado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.
A campanha foi lançada em 2014 pelo Centro de Valorização à Vida (CVV), pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Durante o Setembro Amarelo há campanhas de conscientização sobre a prevenção do suicídio em todo o país.
De acordo com a psicóloga, a melhor forma de prevenir é procurar ajuda. Ela explica que é essencial que os sinais sejam identificados por familiares e amigos, e que estes incentivem a pessoa a buscar um profissional. “Isso porque, na maioria dos casos, a pessoa em crise emocional não consegue identificar outras soluções a não ser tirar a própria vida”, disse a especialista.
Ao site, Mônica também explicou como é feita esta ajuda psicológica em pessoas que têm tendências suicídas. Segundo ela, o trabalho é feito pela escuta, a partir da qual é possível “identificar transtornos mentais do paciente”. “Nós profissionais, psicólogos e psiquiatras treinados em avaliação e manejo de comportamento suicida, normalmente, avaliamos o estado mental do paciente através da escuta e também ouvimos os familiares para entender, detalhadamente, as relações pessoais e sociais do paciente”, detalhou.
A psicóloga ainda explicou como são os sinais de pessoas que pretendem tirar a própria vida. Segundo ela, é preciso parar de ignorá-los e julgá-los como mito. “Tem gente que ainda pensa que quem ameaça não faz, é melhor levar a sério. Ou então alguma outra tentativa, pessoas que já têm um histórico de tentativa anterior de suicídio. Muitos casos também as pessoas geralmente dão indícios falando ou fazendo comentários sobre não ter razão mais para viver ou falando ‘é melhor que eu estivesse morto’”.
Saiba como procurar ajuda
Na capital sergipana, a população pode procurar ajuda no âmbito da Rede de Atenção Psicossocial (Reaps). Ao AjuNews, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) reforçou o alerta sobre a importância do acolhimento e da notificação para o desenvolvimento de ações de prevenção e linhas de cuidado. A pasta possui uma rede de saúde mental com disponibilização de consultas em psicologia e psiquiatria a nível ambulatorial e presencial para os casos de transtornos mentais e sofrimentos psíquicos considerados de leve a moderado.
Para ter acesso aos atendimentos especializados em psicologia e psiquiatria adulto e infanto-juvenil, é preciso ser encaminhado por um profissional de saúde da atenção básica para uma Unidade Básica de Saúde (UBS).
São seis Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) com serviço direcionado a pessoas com transtornos mentais graves e persistentes. Nos CAPS não há necessidade de encaminhamento prévio para passar pelo primeiro atendimento de acolhimento. Os atendimentos de acolhimento inicial são realizados de segunda a sexta-feira das 8 às 17h.
Neles são oferecidos: atendimentos individuais, atendimentos em grupo, visitas e atendimentos domiciliares, atendimento à família, acolhimento diurno e noturno para adultos que necessitam de cuidados em saúde e psicossociais devido ao sofrimento psíquico. A inserção de usuários nos leitos de observação 24h se dá com base em critérios clínicos, e/ou em critérios psicossociais, como a necessidade de observação, repouso e proteção, manejo de conflitos socioafetivos, dentre outros, após avaliação por equipe multiprofissional.
Em todo o estado, o setembro amarelo segue com diversas ações, entre elas o atendimento psiquiátrico gratuito ofertado pela Equilíbrio Clínica Dia, Urgência Mental e Assistência Integrada. As consultas acontecem de 13/09 a 17/09, com agendamento prévio pelo telefone (79) 9 9861-7781. As vagas são limitadas.
Na Urgência Mental e Assistência Integrada do Nordeste, que fica em Aracaju, apenas em junho, 4.216 ligações ao número 188 foram atendidas em Sergipe, segundo o último levantamento publicado pelo Centro de Valorização da Vida (CVV).
O estado é o quinto em todo o Brasil em número de ligações por 100 mil habitantes, com 186 atendimentos. A média é de 45 ligações diárias na capital. Segundo a coordenadora do CVV em Sergipe, Erna Barro, estes problemas psicológicos estão crescendo principalmente devido à pandemia da covid-19.
“Nestes últimos meses, nós notamos que os números de atendimentos triplicaram. São pessoas com angústia e solidão, idosos que não têm com quem conversar, adolescentes em situação de violência e vulnerabilidade, entre outros casos”, alegou.
As pessoas que apresentarem sinais de solidão ou outros que podem levar a vontade de se suicidar podem ligar gratuitamente para o número 188, todos os dias da semana.
Atendimentos na pandemia
Diante do isolamento social o número de pessoas com transtornos mentais cresceram ainda mais. Tendo isso em vista, em abril de 2020, no início da pandemia da covid-19, foram ofertados atendimentos psicológicos, suporte emocional e apoio qualificado em saúde mental no Serviço de Plantão Psicológico (SAPSI), em Aracaju.
O SAPSI funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, através de ligação gratuita (0800 729 3534, opção 2), pelo qual a população será atendida de forma imediata e direta por uma psicóloga, que irá realizar uma escuta qualificada e a depender de cada demanda poderá realizar orientações, psicoeducação e/ou encaminhamentos que atendam a especificidade da pessoa.
*Com supervisão de Peu Moraes
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