O pai de Rebecca Beatriz Rodrigues Santos , 7 anos, uma das meninas mortas no tiroteio em Duque de Caixas, no Rio de Janeiro, Maycon Douglas Moreira Santos, falou sobre a sua filha e a prima Emilly Victoria da Silva Moreira Santos, que faria 5 anos no dia 23 de dezembro. Em entrevista ao O Globo neste domingo (6), o pai revelou que as duas meninas adoravam festas e que Emilly já contava os dias para sua primeira festa de aniversário, próximo ao natal.
Segundo ele, “estava todo mundo feliz da vida. Agora não temo mais nada. Acabou o Natal, o réveillon. Acabou tudo. Não temos mais motivo para festa. Elas não vão mais poder festejar e nem estudar. Foram impedidas de viver”, disse o pai de Rebecca.
Durante a entrevista, Maycon afirmou que o tema da comemoração de Emilly seria da Moana, sua princesa favorita. No entanto, parte do recurso para a celebração, fruto da ajuda de toda família, foi usado no enterro das duas primas, que aconteceu neste sábado (5). As duas foram sepultadas lado a lado. Emilly vestia a fantasia de princesa que usaria em seu aniversário. Elas morreram ao serem baleadas na porta de casa, enquanto brincavam, na noite de sexta-feira (4), na comunidade Barro Vermelho, em Gramacho, na mesma cidade da Baixada Fluminense.
O pai contou também que os sonhos da filha foram interrompidos. “Ela tinha o jeito de menininha. Mas quando brincava comigo parecia um moleque. Ela gostava de me imitar, usar cordão igual a mim e até boné para trás. Era decidida. E colocou na cabeça que seria marinheira. E seria, se não tivessem interrompido a vida dela. Meu pai queria ter sido marinheiro e acho que o sonho dele foi transferido para ela. Agora ele está inconsolável. Aliás, estamos todos acabados, sem chão”, disse ele.
Já sobre Emilly, que era prima de primeiro grau de Maycon, de tão agitada, ganhou o apelido de Fuzuê. Ele conta ao jornal que a menina tinha o hábito de colocar apelido nas pessoas, e amava festas. “Também gostava muito de dançar, principalmente funk. Tinha o sonho de ter uma festa só para ela e de estudar, de preferência na escola da prima Rebecca, a quem ela admirava. Com poucos recursos financeiros, os pais de Emily, que são tios de Maycon, nunca puderam colocá-la na escola. E este ano, com muito esforço, iriam fazer sua primeira festinha”.
Maycon, que é ajudante de carga e descarga de 25 anos, afirmou que vai processar o estado. “Somos pobres, vivemos com luta. Principalmente a minha tia, mãe da Emilly, que mora em um barraco com o marido e os filhos, sendo um deles, o Pedro, de 6 anos, com necessidades especiais. Os dois estão desempregados. Mas queremos processar o estado não por dinheiro, mas por justiça”, finalizou.
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