Na Bahia, candidato do próprio MDB afirma que reconhece a importância política de Geddel Vieira Lima, mas não concorda com sua presença ao lado do governador Jerônimo Rodrigues
Há uma pergunta incômoda começando a circular nos bastidores da política baiana:
Se Geddel Vieira Lima é importante para o MDB, participa das articulações políticas e ajuda a sustentar a aliança com o governo, por que sua presença passou a ser tratada como um problema quando chega a hora de subir ao palanque?
A questão ganhou ainda mais força depois da declaração do candidato a deputado federal Dr. Cruz, MDB-BA, número 1500.
Mesmo integrante do partido e reconhecendo a força política de Geddel, Dr. Cruz afirma que não concorda com sua presença no palanque do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT).
“Eu sou do MDB e reconheço a importância política de Geddel Vieira Lima. Sei da importância do apoio dele. Mas não concordo com Geddel em cima do palanque do governador. Na minha avaliação, isso prejudica a campanha.”
Assista à declaração
A declaração expõe uma contradição política que começa a incomodar o grupo governista.
Geddel serve para construir a aliança, mas não pode aparecer? Serve para a articulação do MDB, mas sua imagem precisa ficar longe das fotografias de campanha?
Essa é a pergunta.
Corrida apertada aumenta o peso do desgaste
O cenário eleitoral torna o problema ainda mais sensível. Jerônimo disputa uma eleição competitiva, e as pesquisas recentes mostram uma corrida apertada contra ACM Neto. Ao mesmo tempo, o governador precisa demonstrar força política nos municípios e manter seus aliados mobilizados no interior.
Nesse ambiente, qualquer desgaste pode custar caro.
E Geddel carrega um passado que inevitavelmente volta ao debate eleitoral. O ex-ministro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por lavagem de dinheiro no caso dos R$ 51 milhões encontrados em dinheiro vivo.
O resultado é uma situação politicamente desconfortável para Jerônimo: Geddel continua sendo importante demais para ser ignorado pelo MDB, mas controverso demais para ser uma presença eleitoral confortável no palanque.
“Se Geddel é aliado, assuma”
Daí surge a pergunta que a campanha governista terá de responder: Jerônimo quer o apoio de Geddel, mas não quer aparecer ao lado de Geddel?
Não há, até aqui, comprovação pública de uma ordem formal do governador para “esconder” Geddel. Mas a declaração de Dr. Cruz coloca em evidência uma percepção política que merece ser investigada: a de que a presença de Geddel pode ajudar na articulação partidária e, simultaneamente, prejudicar a imagem eleitoral do governador.
Para a oposição, o dilema é ainda mais simples: se Geddel é aliado, assuma. Se é importante, mostre. Se não pode aparecer no palanque, explique por quê.
A eleição de 2026 pode transformar essa contradição em uma das principais questões da campanha baiana.
Porque, no fim, fica a pergunta: quem Jerônimo teme mais — a oposição ou a foto ao lado de Geddel?
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