Projeto do Departamento de Ciência da Informação da UFS digitalizou mais de 10 mil documentos em três anos e preservou o acervo histórico de São Cristóvão. A entrega foi feita em cerimônia no Paço Municipal sem financiamento externo.
A Universidade Federal de Sergipe (UFS) entregou, na noite desta terça-feira (22), um conjunto documental histórico à Prefeitura de São Cristóvão, em cerimônia no Auditório do Paço Municipal, na Praça São Francisco. O trabalho de preservação foi realizado ao longo dos últimos três anos por estudantes e professores do Departamento de Ciência da Informação (DCI/UFS), em parceria com profissionais do município.
Segundo a apresentação do projeto, o trabalho foi executado sem qualquer financiamento externo e envolveu alunos em atividades práticas de extensão que aplicaram conhecimentos teóricos em cenário real. Ao todo, foram digitalizados mais de 10.000 documentos, que agora passam a integrar um acervo sob os cuidados da universidade.
O reitor André Maurício destacou o esforço coletivo da equipe e a relevância do projeto para a preservação da memória local, ressaltando que o resultado é um legado para gerações futuras.
“Dentro dessa perspectiva de entender o papel de cada um de nós, tanto do visto profissional, que é um aprendizado, essa é a essência também de projetos como esse, mas, sem dúvida, é o que a gente vai deixar. Porque esse trabalho é só o começo. É o começo de se conhecer enquanto história. Esse foi um projeto ímpar e fundamental. Este dia, este momento aqui é histórico, porque esses documentos vão ser deixados para o futuro, para um conjunto imenso de gerações para frente.”
Etapas metodológicas
- Diagnóstico: levantamento inicial do estado do acervo e definição das prioridades de intervenção.
- Higienização: limpeza e preparo físico dos documentos para a digitalização.
- Organização: ordenação e classificação do material para facilitar o acesso e preservação.
- Digitalização: produção das imagens digitais dos documentos originais.
- Implementação do repositório digital: criação de ambiente para armazenamento e acesso ao acervo digitalizado.
A equipe mobilizada pelo DCI contou com um grupo formado por três monitores e três voluntários, além de bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) que participaram da execução prática do projeto.
A bibliotecária e documentalista do município, Rafaela Pereira, relatou que a iniciativa de resgate nasceu em 2016 por iniciativa pessoal, ao perceber a necessidade de preservar a massa documental para o acesso público e para diferentes áreas do conhecimento.
“Não apenas para mim, mas para outras pessoas. Não é sobre nós, é sobre o outro. Pensei: se eu achei relevante essa pesquisa e esses documentos, outras pessoas também podem achar, não necessariamente da minha área de biblioteconomia, documentação ou história, mas também de letras, filologia, filosofia. E foi isso que eu quis tratar e preservar, para que essas pessoas tenham o devido acesso.”
Alunas envolvidas no projeto ressaltaram limitações técnicas que persistem, alertando que somente digitalizar não garante preservação digital sem softwares e equipamentos adequados.
“Infelizmente apenas digitalizar um acervo não é garantia da sua preservação digital. Precisamos usar softwares e equipamentos específicos para a reprodução deste material.”
A professora Alessandra Araújo afirmou que a ação atendeu aos pilares de ensino, pesquisa e extensão e que a formalização por meio de termo de compromisso foi decisiva para a realização das atividades.
“Todo trabalho, quando construído dessa forma, com o apoio dos professores e das instituições, mesmo sem recursos financeiros e com cursos de baixo investimento, nós conseguimos realizar. E o melhor de tudo é que esse trabalho está sendo divulgado internacionalmente.”
A professora Gleisy Santos destacou a importância de oportunidades práticas para estudantes do período noturno e a transparência quanto à falta de verba durante a mobilização da equipe.
“Espero que esses trabalhos possam ser sempre, que seja um projeto que possa ser ampliado para outras cidades, instituições onde a gente possa realmente levar esses alunos e que eles possam aprender, que eles possam praticar aquilo que eles veem teoricamente. Então, esses projetos são, sim, fundamentais. São Cristóvão, claro, é muito querido, nós estamos em São Cristóvão, a Universidade Federal de Sergipe tem seu lugar em São Cristóvão. Ela é a segunda cidade mais antiga do Brasil, é um patrimônio da humanidade, é um patrimônio brasileiro, é um patrimônio nosso.”
Em representação da Fundação Municipal de Cultura e Turismo, a presidente Paola Santana ressaltou a dimensão global do patrimônio imaterial local e encerrou a cerimônia com a entrega simbólica de uma borracha profissional de restauro à equipe do DCI, em homenagem ao empenho dos estudantes e professores diante da escassez de materiais.
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