Pelo menos 35 empresas teriam dado baixas no consórcio do DPVAT, o seguro obrigatório para proprietários de veículos que é alvo de investigações sobre fraudes e gestão temerária de recursos públicos. As informações foram publicadas pelo jornal Folha de São Paulo, nesta sexta-feira (02). A debandada inédita na história do seguro representa quase 80% do seu quadro acionário.
O prazo para que os associados peçam desligamento a partir do dia 31 de dezembro expirou nesta sexta-feira. As baixas são muito superiores às do ano passado, quando 17 empresas, que representavam 25% das ações, decidiram sair. As desistentes não comentam as razões da saída, mas o setor vê o movimento como uma estratégia para evitar desgastes de imagem ou eventual responsabilização em caso de condenação da Seguradora Líder, empresa que administra o seguro, em investigações sobre as fraudes.
De acordo com jornal, o grupo que pediu desligamento inclui desde subsidiárias de grandes bancos, como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Bradesco, e seguradoras de todos os portes. O movimento veio à tona há uma semana, quando a Porto Seguro, maior acionista, comunicou ao mercado a sua saída. A reportagem apurou que os bancos estatais responderam também a determinação do governo, que tentou extinguir o DPVAT no fim de 2019, mas foi contestado pelo Supremo Tribunal Federal, em ação movida pela Rede Sustentabilidade.
Em nota enviada ao jornal, a Líder diz que o modelo atual segue resolução de 2006 do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), que determina que o seguro seja administrado por uma seguradora líder, responsável pela gestão da arrecadação dos prêmios e pagamento de indenizações.
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