Após denunciar o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) pelo desvio de salários de funcionários da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), conhecida como “rachadinha”, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) quer prosseguir o trabalho investigando-o por lavagem de dinheiro, por meio de uma loja de chocolates mantida pelo senador em um shopping. Segundo as investigações, divulgadas pelo Estadão, o seu irmão, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), também poderá entrar no foco do MP.
No documento enviado ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o MP destaca: “Além dos componentes e estrutura ora descritos (na denúncia), ressalva-se a continuidade das investigações para apurar outros possíveis integrantes e/ou núcleos da organização criminosa, em especial a possibilidade da existência de eventual núcleo financeiro destinado, precipuamente, a lavar dinheiro por intermédio de ‘laranjas’ e empresas como a Bolsotini Chocolates e Café Ltda”.
De acordo com publicação, a investigação que envolve Flávio Bolsonaro poderá se encontrar com as apurações sobre suspeitas semelhantes sobre seu irmão Carlos Bolsonaro. Na apuração contra o vereador do Rio, segundo filho do presidente Jair Bolsonaro, que ainda não avançou tanto quanto a do senador, há vários ex-funcionários investigados no processo que apura as “rachadinhas” na Assembleia. É o caso dos parentes de Ana Cristina Siqueira Valle, segunda mulher do presidente da República. Ela própria também está sob investigação, já que trabalhou para o então enteado, no gabinete da Câmara Municipal da capital fluminense.
Segundo o Estadão, o que se sabe sobre as investigações que têm o gabinete do vereador como foco, iniciadas no meio de 2019, ainda se concentra na possibilidade de peculato por meio de funcionários “fantasmas”. Foi assim que, um ano antes, começou o caso de Flávio, que logo avançou para outros aspectos que levaram à suspeita de lavagem de dinheiro.
Os dois irmãos sempre negam as acusações e alegam perseguição política. Os demais envolvidos não se manifestaram. No dia 31 de dezembro, ao fazer uma live, o presidente Bolsonaro colocou em dúvida a imparcialidade do Ministério Público do Rio e questionou o que o órgão faria se o filho de um promotor fosse investigado por tráfico de drogas.
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