O Banco Central (BC) contabiliza, desde novembro de 2025, seis liquidações extrajudiciais de instituições financeiras vinculadas ao chamado “caso Master”. A medida mais recente foi aplicada ao Will Bank, cujo ato foi publicado nesta quarta-feira (21). Segundo a autoridade monetária, a intervenção tornou-se necessária diante do comprometimento da situação econômico-financeira da empresa e do descumprimento da grade de pagamentos definida para o arranjo ao qual o banco estava associado.
Com a decretação da liquidação extrajudicial, os administradores perdem automaticamente seus poderes de gestão, e um liquidante nomeado pelo BC assume a responsabilidade pela apuração de ativos e passivos. O objetivo principal desse processo é proteger credores e clientes, evitando que a deterioração patrimonial avance enquanto se examinam as contas e se organizam eventuais ressarcimentos.
A decisão envolvendo o Will Bank reflete o desdobramento de uma fiscalização iniciada em 2025, quando as primeiras irregularidades relacionadas ao “caso Master” vieram à tona. Desde então, o regulador intensificou o monitoramento de instituições ligadas ao conglomerado financeiro investigado. Entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026 foram decretadas cinco liquidações; a sexta ocorreu agora, em 21 de fevereiro de 2027.
De acordo com o BC, a adoção da liquidação extrajudicial costuma ocorrer quando fica caracterizado risco relevante para a solidez do sistema ou quando há descumprimento reiterado de normas prudenciais. No caso específico do Will Bank, além da fragilidade patrimonial apontada nos relatórios de supervisão, verificou-se falha no cumprimento da sequência de pagamentos — a chamada grade — firmada com o arranjo de que a instituição participava, situação que comprometeu a confiança de clientes e parceiros comerciais.
As outras cinco empresas submetidas ao mesmo procedimento não tiveram seus nomes detalhados no comunicado divulgado nesta quarta-feira, mas o BC reiterou que todas pertencem ao grupo investigado no “caso Master”. A autoridade monetária informou ainda que continua acompanhando as investigações em curso e não descarta novas medidas, caso sejam identificados novos indícios de irregularidades ou ameaça à estabilidade do sistema financeiro.
Com a liquidação do Will Bank, os processos envolvendo as seis instituições permanecem em fases distintas de levantamento de ativos, verificação de créditos e satisfação de eventuais dívidas. Conforme prevê a legislação, credores e depositantes devem ser informados sobre prazos e procedimentos para habilitação nos respectivos quadros de credores.
Até o momento, não há previsão de encerramento para os processos já instaurados, uma vez que a duração da liquidação depende do grau de complexidade do passivo e da localização dos bens que compõem o patrimônio de cada empresa. O Banco Central reafirmou que manterá a divulgação de informações sempre que houver avanços significativos.
Com informações de Claudiodantas
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