O diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino, informou em depoimento à Polícia Federal que a autarquia identificou irregularidades nas carteiras de crédito da Tirreno negociadas pelo Banco Master com o Banco de Brasília (BRB) ainda em março de 2025. A operação, que envolveu a cessão de ativos avaliados em R$ 12,2 bilhões, passou a ser monitorada pelo BC logo após a detecção dos problemas.
De acordo com o relato de Aquino, o alerta do regulador ocorreu oito meses antes da decretação da liquidação do Banco Master. Nesse período, técnicos do BC examinaram detalhes da carteira repassada ao BRB e apontaram inconsistências que, segundo o depoimento, caracterizam “carteiras podres” – créditos com alto risco de inadimplência ou sem lastro suficiente.
A informação veio à tona durante investigação conduzida pela Polícia Federal sobre a solvência da instituição financeira. As oitivas fazem parte de um inquérito que busca apurar eventuais irregularidades na condução da operação de cessão de crédito e seus impactos sobre o sistema bancário.
Ailton de Aquino salientou que o Banco Central comunicou formalmente as fragilidades identificadas e acompanhou a evolução do caso até a intervenção que encerrou as atividades do Banco Master. Embora o processo de liquidação tenha ocorrido meses depois do primeiro alerta, o diretor afirmou que o BC permaneceu em contato com as partes envolvidas, inclusive o BRB, para minimizar riscos de contágio e preservar a estabilidade do mercado.
O depoimento, prestado recentemente na sede da Polícia Federal, também descreve que a autarquia coletou documentos internos do Banco Master e registros de auditoria relacionados à carteira da Tirreno. Esses materiais foram encaminhados às autoridades responsáveis pela investigação criminal e poderão servir de base para futuras ações cíveis ou administrativas.
Segundo Aquino, não houve indicação de que o BRB tivesse conhecimento prévio da real qualidade dos créditos adquiridos. O Banco Central, contudo, decidiu intensificar a fiscalização sobre a instituição pública para assegurar que eventuais perdas fossem devidamente provisionadas, evitando impactos no balanço do banco brasiliense.
O inquérito segue sob sigilo, e nem Banco Master nem BRB se pronunciaram até o momento sobre o teor do depoimento. A Polícia Federal, por sua vez, informou apenas que as apurações continuam e que novos interrogatórios podem ocorrer nas próximas semanas.
Com informações de Claudiodantas
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