Depoimentos colhidos pela Polícia Federal (PF) indicaram que o blogueiro Allan dos Santos, investigado no inquérito sobre atos antidemocráticos, mantinha um grupo no WhatsApp com deputados apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e “outras pessoas de baixo escalão do governo”. As conversas acabavam resultando em reuniões na casa de Allan, no Lago Sul, em Brasília. As informações foram publicadas pelo jornal O Estado de São Paulo, nesta segunda-feira (21).
Os dados constam em depoimentos do assessor parlamentar Tércio Arnaud Tomaz, apontado como membro do gabinete do ódio, e do deputado federal Paulo Martins (PSC-PR). Eles confirmaram as conversas por meios virtuais e as reuniões organizadas pelo blogueiro. Allan é apontado como autor de mensagens em que sugere “a necessidade de uma intervenção militar” no país.
Além disso, em seu depoimento, o youtuber Adilson Nelseu Dini, do canal Ravox Brasil, também afirmou que eram realizados “encontros”, “muitas vezes de confraternização”, na casa do blogueiro por “pessoas que comungam a ideia de apoiamento ao presidente Jair Bolsonaro”. Entre os participantes destes encontros estaria o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). O depoimento do parlamentar no inquérito acontece nesta quarta-feira (23).
“Os encontros, muitas vezes de confraternização, envolvendo amigos e pessoas que comungam a ideia de apoiamento ao presidente Jair Bolsonaro, que já ocorreram na casa de Allan, situada no Lago Sul em Brasília, onde algumas vezes participou Eduardo Bolsonaro, não é conhecido, e nem pode ser chamado, de ‘gabinete do ódio'”, afirmou o youtuber à PF.
Em sua oitiva, Tércio Tomaz disse à polícia que o blogueiro o adicionou em um grupo do Whatsapp criado “para que pudesse se reunir” semanalmente na casa de Allan “para discutir temas relacionados ao governo federal com pessoas que estão dentro do governo”. A PF informou que ao ser “Indagado quem participava desse grupo, respondeu que se recorda de Paulo Eduardo Martins, Daniel Silveira (depututado federal pelo PSL-RJ) e outras pessoas de baixo escalão do governo”. O parlamentar prestará depoimento, nesta segunda (21).
A PF teve acesso a mensagens que mostram que Allan dos Santos defendeu a necessidade de um golpe militar ao chefe da Ajudância de Ordem da Presidência, tenente-coronel Mauro Cid.
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