A aproximação com o Centrão e o foco em programas sociais e na agenda de obras remetem ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a uma estratégia adotada pelo ex-presidente Lula em 2005, quando o escândalo do mensalão explodiu em Brasília. A avaliação é do publicitário Alexandre Borges, um velho conhecido da atual família presidencial por ter coordenado as campanhas de Flávio Bolsonaro para a prefeitura do Rio em 2016 e do ex-aliado Wilson Wiltzel para o governo do estado, em 2018.
Ao jornal O Globo, nesta terça-feira (30), Borges explicou por que acha que Bolsonaro terá fôlego para manter apoio popular como o petista há 15 anos. O publicitaria listou três fatores que podem garantir ao atual presidente fôlego: o pagamento de R$ 600 de auxílio compensou a perda de apoio em alguns segmentos; a falta de alternativa na oposição; e a dificuldade do eleitor em condenar coisas abstratas. Acordo com Centrão e interferência na Polícia Federal são argumentos que apenas parte da classe média consegue entender.
“Não é como o cara filmado, recebendo propina. O brasileiro se revoltou no passado porque existiu a Copa do Mundo e a Lava-Jato. Aí, ele olhava um estádio de futebol construído ou reformado na sua cidade por uma empreiteira e entendia facilmente que aquilo era uma desperdício. Era corrupção tangível”, disse.
O aceno ao Centrão é semelhante ao movimento que Lula fez para trazer o PMDB, atual MDB para dentro do seu governo e terminar o primeiro mandato. “Quando o Duda Mendonça foi ao Congresso e disse que recebeu dinheiro no exterior, muitos disseram que o PT tinha acabado naquele momento. É a mesma avaliação apressada que se faz a cada notícia que surge sobre Bolsonaro”, explicou.
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