O Brasil passou a recorrer com mais intensidade à Rússia e aos Estados Unidos para abastecer seu mercado de diesel depois que importações do combustível foram prejudicadas pelo agravamento do conflito no Oriente Médio e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, em março. A informação consta de dados do sistema Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Para detalhes sobre o estreito, veja a nota sobre o fechamento do Estreito de Ormuz .
Nos meses de março e abril, as importações brasileiras de diesel somaram US$ 1,76 bilhão. Desse total, 81,25% vieram da Rússia, equivalente a US$ 1,43 bilhão. Em segundo lugar aparecem os Estados Unidos, com participação de 6,42% (US$ 112,92 milhões).
Ao considerar apenas abril, a fatia russa aumentou: o Brasil comprou US$ 924 milhões de diesel da Rússia, ou 89,84% do total do mês. Os Estados Unidos forneceram US$ 104,44 milhões (10,98%). Há registro também de importação do Reino Unido no valor de US$ 4.264, correspondente a 0,001%.
Em março, o país ainda registrou compras vindas do Oriente Médio devido a embarcações que haviam deixado o Golfo Pérsico antes do início do conflito. Em fevereiro, o Brasil importou US$ 111,89 milhões dos Emirados Árabes Unidos (15,7% do total de março) e US$ 99,23 milhões da Arábia Saudita (13,57%).
As aquisições de diesel da Rússia mais que duplicaram nos últimos meses: em fevereiro o Brasil havia comprado US$ 433,22 da Rússia, valor que subiu para US$ 505,86 em março e se aproximou de US$ 1 bilhão em abril, segundo o Comex Stat.
Medidas do governo
Para amenizar o impacto da alta do diesel sobre consumidores, o governo federal adotou medidas emergenciais. Em março, uma medida provisória concedeu R$ 10 bilhões em subsídios para a importação e comercialização do combustível (veja o texto sobre a MP ).
Um decreto presidencial zerou também as contribuições do PIS e da Cofins sobre o diesel, com impacto estimado em R$ 20 bilhões na arrecadação federal. O corte de tributos reduz o preço do litro na refinaria em R$ 0,32, enquanto a subvenção paga a produtores e importadores foi estimada em mais R$ 0,32 por litro. A equipe econômica afirma que as perdas com essas desonerações foram compensadas pelo aumento na receita de royalties do petróleo, impulsionado pela alta do barril.
Em abril, o governo lançou programa para reduzir o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre o diesel importado, com custo dividido meio a meio entre estados e União. Embora o prazo de adesão tenha sido prorrogado até terça-feira (5), apenas Rondônia não aderiu ao acordo, segundo informação do Ministério da Fazenda .
O programa de redução do ICMS deve cortar R$ 1,20 do preço do litro na bomba, com custo estimado de R$ 4 bilhões para dois meses — valor superior à previsão inicial de R$ 3 bilhões. Além disso, foi anunciada uma subvenção adicional de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido no Brasil, com custo estimado em R$ 3 bilhões mensais. Em ambos os casos, as empresas terão de comprovar o repasse da redução ao consumidor.
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