BRASIL — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (18/05) que o Brasil não abrirá mão da sua soberania na exploração de minerais críticos e terras raras, em cerimônia realizada em Campinas (SP).
- Lula disse que outros países podem se associar ao Brasil para explorar os recursos, desde que respeitem a soberania nacional.
- Foram inauguradas quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador Sirius no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM): Tatu, Sapucaia, Quati e Sapê.
- O investimento nas novas linhas é de R$ 800 milhões, financiado pelo novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
- No evento também foi lançada a pedra fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, inicialmente conduzido pelo CNPEM, voltado ao fortalecimento da soberania tecnológica na área da saúde.
Cerimônia em Campinas e posição sobre exploração
O pronunciamento ocorreu durante a inauguração de quatro linhas de luz síncrotron do Sirius, equipamento do CNPEM que amplia a capacidade de pesquisa em escala atômica e molecular. Lula afirmou que o Brasil está aberto a parcerias, mas mantém controle sobre a exploração dos recursos em seu território.
“Não temos preferência por ninguém. Pode vir chinês, alemão, francês, japonês, americano. Pode vir quem quiser. Desde que tenham consciência de que o Brasil não abre mão de sua soberania para dizer que os minerais críticos e as terras raras são nossas e que queremos explorá-la aqui dentro.” — Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República
“Se a gente for fazer esse estudo só cavando buraco, isso vai demorar muito. A gente vai ter que contar com inteligência e a ciência e o conhecimento de vocês para dar um salto de qualidade, e ver se, em um curto espaço de tempo, a gente faça que o Trump [presidente dos EUA] deixe de brigar com o Xi Jinping [presidente da China] e venha se associar a nós para explorar isso aqui.” — Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República
Novas linhas do Sirius e aplicações
As quatro linhas recém-inauguradas — Tatu, Sapucaia, Quati e Sapê — ampliam as áreas de pesquisa do país em saúde, energia, agricultura, clima e nanotecnologia. A linha Tatu opera na faixa dos terahertz para estudos em materiais quânticos e biomoléculas; Sapucaia foca em nanopartículas e proteínas; Quati dará suporte a pesquisas em indústrias petroquímica e farmacêutica e em terras raras; Sapê atuará no desenvolvimento de materiais avançados, incluindo supercondutores e semicondutores.
“Para fazer um investimento como esse, a gente não tem que perguntar quanto custa. Qualquer quantidade de milhões que colocarmos é muito pequeno diante da quantidade de milhões que isso aqui vai render para o futuro do país e para o futuro da sociedade brasileira.” — Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República
Avanço científico e iniciativa em saúde
A ministra de Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, afirmou que a entrega das novas linhas e o avanço das obras do Orion representam um potencial salto tecnológico para o país.
“O que celebramos aqui vai muito além das novas linhas do Sirius ou do avanço das obras do Orion [um complexo para pesquisas avançadas em patógenos]. Essa é a prova de que o Brasil pode ocupar o lugar de liderança científica, tecnológica e industrial no mundo.” — Luciana Santos, ministra de Ciência, Tecnologia e Inovações
“O CNPEM ajudou a romper essa lógica de dependência e mostrou que conhecimento também é soberania. Antes do Sirius, pesquisadores brasileiros dependiam de laboratórios estrangeiros para realizar estudos avançados em materiais, proteínas e vírus e tecnologias estratégicas. Isso atrasava pesquisavas e limitava o conhecimento e a capacidade do Brasil em produzir conhecimento em áreas fundamentais.” — Luciana Santos, ministra de Ciência, Tecnologia e Inovações
Além das linhas, foi lançada a pedra fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, iniciativa que, segundo o governo, busca reduzir a dependência de tecnologias importadas e fortalecer o desenvolvimento de biomoléculas, biossensores, dispositivos médicos e novos diagnósticos para o SUS. O programa será realizado inicialmente pelo CNPEM.
Mais informações sobre o CNPEM e o Sirius podem ser consultadas em https://www.cnpem.br
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