O Banco de Brasília (BRB) multiplicou os valores destinados a patrocínios desde que o governador Ibaneis Rocha (MDB) assumiu o comando do Distrito Federal, em 2019. O crescimento dos desembolsos ocorre em paralelo a dois fatores que chamam a atenção: o banco pública enfrenta investigação da Polícia Federal no caso Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro, e lida com um rombo bilionário provocado pela aquisição de ativos de uma instituição financeira que havia sido liquidada.
Levantamento realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo indica que os recursos empregados em ações de marketing e patrocínio foram significativamente superiores aos praticados em anos anteriores. A apuração consultou relatórios internos do BRB, dados tornados públicos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e balanços enviados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Os percentuais de incremento não foram detalhados, mas a reportagem descreve um avanço que ultrapassa, em múltiplas vezes, o patamar verificado antes da posse de Ibaneis Rocha.
O gasto agressivo com patrocínios chama a atenção porque se dá em um momento de instabilidade para a instituição. A Polícia Federal mantém aberta a investigação sobre possíveis irregularidades envolvendo a operação de compra de ativos do Banco Master, ligada ao empresário Daniel Vorcaro. A mesma aquisição, segundo dados presentes nos balanços do BRB, gerou impacto negativo bilionário nas contas do banco regional.
Sem entrar no mérito da investigação, a administração do BRB informa, em notas públicas, que as iniciativas de patrocínio buscam “aproximar a marca dos clientes” e “fortalecer a economia local por meio do fomento à cultura, ao esporte e a eventos corporativos”. Não há, contudo, explicações detalhadas sobre os critérios utilizados para definir quais projetos receberam aporte ou sobre o retorno financeiro estimado para cada parceria.
Fontes ouvidas pelo Estadão afirmam que, nos últimos anos, o banco assinou contratos de patrocínio com times esportivos, festivais culturais e eventos de grande porte organizados no Distrito Federal e em outras unidades da Federação. O valor total destinado a esses contratos não foi divulgado publicamente, mas o montante, segundo as fontes, contrasta com a necessidade de capitalização adicional para cobrir o prejuízo gerado pela compra dos ativos do Banco Master.
Na esfera política, o aumento dos gastos é observado de perto por integrantes da oposição local, que já solicitaram explicações formais ao Palácio do Buriti e à diretoria do BRB sobre o volume de recursos direcionado a marketing. Parlamentares distritais sustentam que, diante do déficit bilionário, a prioridade deveria ser fortalecer a estrutura de crédito do banco e proteger correntistas, não ampliar investimentos em patrocínios.
Até o momento, nem o Governo do Distrito Federal nem a presidência do BRB detalharam qual foi o salto percentual das despesas, tampouco apresentaram estudo oficial que comprove retorno financeiro dessas ações. O inquérito da Polícia Federal segue em andamento e, de acordo com investigadores, ainda não há prazo para conclusão.
Enquanto a apuração prossegue, o banco mantém a agenda de patrocínios e reforça, em comunicados recentes, que todas as contratações obedecem às regras internas de compliance e à legislação aplicável às empresas públicas. O BRB destaca, ainda, que segue “comprometido com a transparência” e que prestará todos os esclarecimentos solicitados pelos órgãos de controle.
Com informações de Claudiodantas
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