Nesta quinta-feira, 26, data em que se celebra o “Purple Day” – Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia –, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) destacou os avanços proporcionados pelo tratamento com canabidiol aos usuários da rede pública em Sergipe. O atendimento é realizado no Núcleo de Atendimento em Terapias Especializadas (Nate), que integra o Centro Especializado em Reabilitação José Leonel Aquino (CER IV), e já beneficia cerca de 73 pacientes com epilepsia refratária.
O Nate começou a funcionar em 2023, após a sanção da Lei 9.178/23, que instituiu a Política Estadual de Cannabis para fins terapêuticos, medicinais, veterinários e científicos. A legislação garante acesso universal e gratuito, via Sistema Único de Saúde (SUS), a terapias com a planta.
Resultado para quem convive com crises severas
A epilepsia refratária é caracterizada pela dificuldade de controlar as crises convulsivas mesmo após o uso de, pelo menos, dois medicamentos ao longo de um ano. No Nate, o canabidiol é indicado a pacientes que se enquadram em síndromes específicas, como Dravet, Lennox-Gastaut (SLG) e Complexo Esclerose Tuberosa (CET).
De acordo com a neurocirurgiã Dandara Carvalho, que atua no núcleo, a substância tem mostrado impacto direto na rotina dos pacientes.
“O canabidiol modifica muito a qualidade de vida porque reduz crises severas e perigosas, evitando quedas e machucados. Em alguns casos, elas são controladas por completo”, relatou.
Histórias de mudança
Entre os usuários do serviço está Fernanda dos Santos, 10 anos, que possui microcefalia, autismo nível 3 de suporte e epilepsia refratária. A mãe, Edna dos Santos, lembra que a filha chegou a tomar cinco anticonvulsivantes simultâneos sem sucesso.
“Quando surgiu a possibilidade da cannabis, era nossa última esperança. Depois do canabidiol, as crises diminuíram, ela passou a se concentrar melhor e até evoluiu na disfagia. Canabidiol é vida”, afirmou.
A manicure Risolandia Vieira, 40, moradora de Propriá, também percebeu melhora desde que passou a usar o produto em 2024.
“Já tive várias crises que resultaram em quedas e ferimentos na cabeça. Depois que comecei o tratamento no Nate, elas diminuíram bastante e quase não preciso ir ao hospital”, contou.
Fonte: Saude.se.gov
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