O presidente-executivo do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, declarou nesta quinta-feira, 23, que a instituição não ofertou certificados de depósito bancário (CDBs) emitidos pelo Banco Master a seus clientes. A afirmação foi feita durante entrevista ao Estadão/Broadcast no Fórum Econômico Mundial, que ocorre em Davos, na Suíça.
Questionado sobre os reflexos da liquidação extrajudicial do Banco Master e do Will Bank — medida anunciada recentemente pelo Banco Central —, Maluhy classificou o episódio como um “evento relevante, porém isolado”, sem risco sistêmico ao mercado brasileiro. “Nunca distribuímos um CDB do Master”, garantiu o executivo, ao reforçar que os clientes do Itaú não foram expostos aos títulos da instituição liquidada.
Para o CEO, a crise envolvendo as duas instituições financeiras reforça a necessidade de “maior responsabilidade” na distribuição de produtos de investimento. Segundo ele, a conduta diligente dos grandes bancos é fundamental para preservar a confiança dos correntistas e o bom funcionamento do setor.
Maluhy aproveitou o encontro com jornalistas para ressaltar que o Itaú mantém “processos rigorosos” de análise de risco antes de oferecer papéis de terceiros em sua prateleira. Ele acrescentou que o banco acompanha de perto a situação de emissores menores e que, em caso de qualquer sinal de fragilidade, revisa imediatamente seu portfólio de produtos.
A liquidação do Banco Master e do Will Bank mobilizou discussões em torno do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo que protege depósitos e investimentos de até R$ 250 mil por CPF e por instituição. Maluhy afirmou que o episódio reforça a importância de fortalecer a governança do FGC, mas ponderou que a resolução atual mostra que o sistema de proteção funciona.
O executivo, que participa de painéis em Davos sobre perspectivas econômicas para economias emergentes, disse ainda que a solidez do sistema financeiro brasileiro foi construída após sucessivas crises e testes de estresse. “Temos um arcabouço regulatório robusto”, pontuou.
Maluhy encerrou a entrevista reiterando que o Itaú segue comprometido com a transparência na oferta de produtos aos clientes. Para ele, a combinação de controles internos e supervisão regulatória garante que situações semelhantes não provoquem efeitos em cadeia.
Com informações de Claudiodantas
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