A Confederação Nacional da Indústria (CNI) publicou nesta terça-feira, 2 de junho de 2026, posicionamento crítico à proposta do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) de impor uma tarifa adicional de 25% sobre uma lista de produtos brasileiros. A entidade ressalta que a medida ameaça cadeias produtivas já integradas e pode agravar a queda das vendas externas registrada em 2025.
De acordo com levantamento da CNI, as exportações brasileiras de bens da indústria de transformação para o mercado norte-americano somaram US$ 30,2 bilhões no ano passado, recuo de 4,2% em relação a 2024. Entre os 15 principais segmentos, nove encolheram. Os maiores recuos foram anotados em produtos de metal (-31,6%), madeira (-20%), celulose e papel (-19,9%) e veículos automotores (-17,6%).
Para a organização, uma tarifa suplementar tende a aumentar o custo final desses itens justamente quando vários setores lutam para recuperar competitividade em meio a um dólar volátil e a custos logísticos elevados.
“O momento exige diálogo e análise técnica. De nossa parte, estamos prontos para contribuir com as negociações”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
A entidade sublinha que Estados Unidos e Brasil mantêm relação econômica “estratégica e mutuamente benéfica” construída ao longo de décadas. Segundo a avaliação, barreiras tarifárias adicionais podem afetar produtores brasileiros, importadores norte-americanos e até consumidores, que pagariam mais caro por bens finais.
O USTR marcou para 6 de julho de 2026 uma audiência pública em Washington, quando receberá contribuições de empresas, governos estaduais, federações industriais e demais partes interessadas. A CNI enxerga a consulta como oportunidade para o Brasil apresentar dados sobre impacto de preços, emprego e investimentos nas duas pontas da cadeia.
Internamente, a confederação pretende aprofundar articulação com ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e com o Itamaraty. A agenda inclui encontros com parlamentares das comissões de Relações Exteriores e de Indústria da Câmara e do Senado, além de diálogo direto com líderes empresariais dos dois países.
No curto prazo, a CNI elabora um dossiê técnico que reunirá séries históricas de exportações, elasticidade-preço da demanda norte-americana e exemplos de outros contenciosos tarifários que foram resolvidos via negociação, sem escalada protecionista. O documento deve ser concluído até 20 de junho, a tempo de subsidiar a posição brasileira na audiência do USTR.
A confederação ainda alertou que, se confirmada, a tarifa poderá desencadear resposta simétrica do governo brasileiro, reacendendo tensões comerciais nas Américas. Por ora, a indústria aposta no caminho diplomático e defende que ambos os lados busquem alternativa que preserve o fluxo bilateral estimado em US$ 65 bilhões anuais em bens e serviços.
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