A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta terça-feira (23) que a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas poderá incrementar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano as despesas das empresas com empregados formais. O valor, segundo a entidade, representa crescimento de até 7% na folha de pagamentos das companhias brasileiras.
O levantamento divulgado pela instituição reúne estimativas para todo o mercado de trabalho com carteira assinada. Ao adotar a carga horária menor, as organizações precisariam arcar com salários correspondentes ao período adicional ou contratar novos profissionais para manter o mesmo nível de produção, o que elevaria significativamente o custo total de mão de obra.
De acordo com a confederação, o impacto financeiro calculado envolve toda a estrutura de remuneração dos trabalhadores, incluindo vencimentos, encargos obrigatórios e benefícios previstos na legislação. Mesmo na faixa inferior da projeção — R$ 178,2 bilhões — o acréscimo já ultrapassa o orçamento anual de muitos setores industriais, ressaltou a entidade.
A CNI não divulgou, no comunicado público, detalhes metodológicos sobre o estudo. Contudo, enfatizou que o objetivo é fornecer subsídios numéricos para o debate sobre a possível mudança da legislação trabalhista. Na avaliação da entidade, compreender previamente a dimensão dos custos ajuda empresas e formuladores de políticas a conhecer as consequências econômicas de uma alteração dessa magnitude.
A publicação da estimativa ocorreu à tarde, em Brasília, e foi acompanhada por nota em que a confederação reiterou preocupação com a competitividade do parque industrial nacional. Segundo o texto, o aumento potencial de até 7% na folha de pagamentos afeta diretamente a capacidade de investimento e expansão das empresas, especialmente em períodos de recuperação econômica lenta.
Sem oferecer recomendações adicionais, a confederação limitou-se a divulgar os números e reiterar que o tema segue em discussão no âmbito das entidades representativas do setor produtivo. A CNI destacou ainda que acompanhará o andamento de eventuais propostas de redução da jornada no Congresso Nacional.
Com informações de Claudiodantas
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