Cerca de 80% das pessoas infectadas pelo novo coronavírus (covid-19) que apresentam sintomas leves não devem receber tratamento. Em entrevista ao AjuNews, o diretor de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde (SES) de Sergipe, o infectologista Marco Aurélio, afirmou que ainda não há um consenso da necessidade de medicamentos para todos os pacientes diagnosticados com a doença.
De acordo com o especialista, o tratamento depende da fase clínica que o paciente apresenta, sendo, geralmente, pessoas sintomáticas ou com doenças crônicas ou grupos de risco.
“Além da vigilância para os sintomas respiratórios. Pacientes que começam a evoluir com falta de ar, persistência de tosse ou pertence a grupos especiais como pacientes com doenças crônicas, oncológicos e imunodeprimidos. Essa investigação é feita para ver se tem alteração radiológica no raio-X ou tomografia, e a partir daí fazer tratamentos específicos”, detalhou o infectologista.
Segundo Marco Aurélio, apesar de não existir um medicamento padrão para tratar a covid-19 de forma eficaz, alguns remédios usados para outras doenças têm sido testados com êxito em alguns estudos.
“O tratamento pode ser baseado em antibióticos e antivirais como a cloroquina, que tem uma ação na replicação viral, diminuindo essa replicação. Além de outros antibióticos e outros medicamentos utilizados para outras doenças como tratamento e parasitoses”, relatou Marco Aurélio.
Ainda segundo o infectologista, também já foi feito uso de corticoides para reduzir chances de inflamação em alguns pacientes com o quadro clínico mais grave e também uso de remédios para diminuir a coagulação do sangue no pulmão.
“Ultimamente, o que tem sido discutido muito e tem sido muito aceito pela comunidade científica é a utilização da heparinização. Um medicamento utilizado para diminuir a coagulação do sangue. Tem sido visto, principalmente, na evolução mais grave que esses pacientes evoluem com quadro de trombose, principalmente, na parte do pulmão, e isso é o que dificulta a recuperação e tem levado ao óbito”, afirmou o médico.
Segundo a médica intensivista do Hospital São José, Cátia Justo, todos os pacientes com covid-19 que desenvolvem pneumonia ou tenham uma insuficiência respiratória ou problemas no pulmão, utilizam um cateter de oxigênio. No entanto, nem sempre ele é suficiente.
“Esse cateter consegue receber até seis litros por minuto e isso muitas vezes não é suficiente. Então a saturação não consegue se recuperar e continua caindo, aí a gente passa para uma máscara com o fluxo um pouquinho maior, com o reservatório de oxigênio, que é a máscara de Hudson. Quando a gente coloca nessa máscara a gente já está se preparando para fazer a entubação e coloca esse paciente no ventilador”, explicou Cátia.
De acordo com a SES, Sergipe tem ao todo cerca de 426 ventiladores mecânicos. No entanto, até o fechamento da matéria a pasta não havia confirmado quantos respiradores estão disponíveis atualmente.
Riscos de tratamento
Ainda segundo a médica intensivista, existem alguns riscos com o uso do ventilador, como lesões no tecido do pulmão causado pelo aumento da pressão do oxigênio ou do volume de ar suportado.
“Nem o volume pode ser tão alto, nem a pressão pode ser tão alta dentro do pulmão. Tudo isso tem que ser ajustado. Mas se você tem uma equipe boa, tanto de enfermagem, quanto de médicos e fisioterapeutas os riscos são muito mitigados”, concluiu médica.
Quadro em Sergipe
Até este sábado (9), Sergipe tinha 1.588 casos confirmados e 33 mortes. Foram realizados 5.439 exames e 3.851 foram negativados. Estão internados 86 pacientes, sendo 36 em leitos de UTI (13 na rede privada e 23 na rede pública) e 50 em leitos clínicos (13 na rede privada e 37 na rede pública).
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.









