Terror. Medo. Angústia. Esses sentimentos foram relatados pela estudante Beatriz Sena, 19 anos, após ter sua conta do Instagram hackeada. De acordo com a vítima, o criminoso tentou aplicar golpes, vender objetos, pediu dinheiro e ainda chegou a divulgar perfis de seus seguidores os chamando de “pedófilos” e “estupradores” através da conta hackeada da jovem. Além disso, Beatriz afirmou que o hacker também enviou fotos (nudes) de uma mulher em nome dela.
“Ele divulgou um meio de ganhar dinheiro simples e rápido, pirâmide. Aí você dá o valor inicial e esse valor mais do que triplicava, algo que não é normal. Divulgou eletrodomésticos, objetos à venda, em um valor super inferior ao mercado em meu nome. Ele também tentou aplicar golpes em meus seguidores, amigos e familiares informando que eu estava com problema no meu banco, que eu precisava de um valor x, que eu iria devolver assim que o meu banco liberasse a minha conta porque até então ela estava bloqueada”, afirmou.
De acordo com a estudante, o criminoso percebeu que as outras possíveis vítimas não estavam caindo no golpe e então começou a difamá-las. “Ele difamou pessoas porque chegou a um momento, acho que no quinto dia, que ninguém estava caindo nos golpes dele e aí ele então começou a difamar, chamar os homens de pedófilo, começou a falar coisas de baixo calão, divulgou perfil informando que os meus seguidores alguns eram estupradores, enviou nudes das partes íntimas de uma mulher desconhecida em meu nome”. Veja abaixo imagens publicadas pelo hacker para aplicar golpes pelo perfil de Beatriz:


Beatriz explicou que o criminoso chegou até ela através de uma conta falsa de um restaurante de Aracaju e enviou uma mensagem, que parecia ser padrão. “Você está concorrendo ao sorteio, confirme seu número, endereço, email e tem que ser um número de telefone que tenha no Instagram. Eu falei: “eu acho que sim, meu número deve estar cadastrado”. Até então eu não desconfiei. Ele falou que eu iria concorrer a um jantar 100% gratuito, aí eu me interessei porque era um restaurante que eu já tinha visto várias fotos, várias informações, todo mundo sempre recomendou”, contou.
A jovem contou que a situação a afetou psicologicamente: “Eu sempre prezei pela minha imagem, pelo meu nome, como as pessoas me viam, de uma certa maneira. Sempre transpareci ser uma pessoa e, do nada, alguém que você não conhece, que invadiu a sua vida, porque as redes sociais são a nossa vida, invadiu e te colocou em uma situação desconfortável, fez as pessoas que você mais tem contato e que eu gosto muito, que eu falava quase todos os dias através de envio de memes e tudo mais. Em situações desconfortáveis e desfavoráveis, fiquei muito preocupada, toda hora eu olhava para o celular com medo de algum dos meus amigos e familiares terem caído no golpe”.
Para a estudante, a pior parte foi a difamação e a divulgação de nudes. “Depois a difamação foi o pior. Ser difamada, usaram adjetivos de baixo calão para se referir a mim como uma puta. A questão do nudes também porque assim como tinham pessoas que me conheciam e sabiam que eu não era capaz de tal coisa, tinham pessoas que não tinham contato comigo diretamente, que nunca me viram, que não sabiam quem eu era exatamente porque você não tem como saber com é uma pessoa só por foto ou publicações, isso não define quem você é. Isso me magoou muito e me desestabilizou muito, fiquei muito triste porque a imagem de qualquer pessoa é o que você é, é o que você transparece ser. Foi horrível”, contou.
Beatriz afirmou que não buscou auxílio psicológico após o ocorrido porque recebeu apoio, além da conta ter sido derrubada. “Eu fiquei super aliviada e parece que saiu um peso enorme das minhas costas e espero que isso nunca mais aconteça, tomei todas as devidas seguranças e tudo mais agora numa nova conta, mas foi uma experiência horrível, eu não desejo isso para ninguém”.
Um dia após ter o caso, a jovem prestou um boletim de ocorrência e anexou algumas provas na delegacia virtual. Ao ter um perfil hackeado e sofrer um golpe, as vítimas devem procurar uma delegacia ou o Departamento de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri) para registrar o boletim de ocorrência.
Dados da Secretaria de Segurança Pública de Sergipe (SSP-SE) cedidos ao AjuNews, apontam uma redução no número de registros de golpes na internet em Sergipe entre janeiro e julho. No ano passado, foram registrados neste período 2.999 casos contra 2.804 crimes confirmados até julho de 2022 no estado. Ao todo, em 2021, foram registrados 5.160 casos.
Como acontece?
Os criminosos utilizam-se de engenharia social para criar links semelhantes às páginas verdadeiras. Por esses links, os criminosos obtêm dados e informações pessoais das vítimas. Ao AjuNews, o especialista em Defesa Cibernética e executivo da IMX2, Marcelo Cruz, explicou que, ao acessar as contas das vítimas, o principal risco para as pessoas é ter a sua privacidade completamente devassada. “Conversas, fotos, tudo que ela já fez na rede social invadida ficará à disposição do atacante. Como sempre digo, dados não ‘desvazam’”. De acordo com Marcelo, o objetivo dos criminosos com o furto de contas em redes sociais é o ganho financeiro fácil.
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