A Universidade Federal de Sergipe (UFS) vai criar três comissões para apurar as denúncias de supostas fraudes em cotas para ingresso na instituição de pessoas pretas, pardas e indígenas. A medida faz parte dos parâmetros firmados em um acordo entre a UFS e o Ministério Público Federal (MPF), durante uma reunião, nesta quarta-feira (26).
De acordo com o MPF, uma das comissões é a de heteroidentificação para estudantes que estão ingressando no Campus de Lagarto, em 2020, através do sistema de cotas. A segunda vai tratar de denúncias de fraudes relacionadas exclusivamente aos ingressos no Campus de São Cristóvão através do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) em 2020.
Já a terceira comissão, será formada para analisar os casos de denúncias relativas a alunos que se matricularam na UFS em 2019 ou anos anteriores, em todos os seus campi.
Segundo o acordo, as comissões farão seus trabalhos de forma remota, mas as entrevistas para heteroidentificação dos candidatos às cotas serão feitas de forma presencial, a pedidos dos movimentos sociais que acompanham o caso, com a justificada de garantir maior lisura no processo.
A procuradora regional dos Direitos do Cidadão Martha Figueiredo, destacou que o acordo só foi possível por conta da atuação direta do movimento negro em parceria com o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiro e Indígenas (Neabi) da UFS.
Ainda de acordo com Martha, a pedido dos movimentos sociais negros, a Universidade vai reconstituir o Grupo de Trabalho e as Comissões de Heteroidentificação de forma permanente ao fim dos trabalhos, com a elaboração de uma Resolução. O ato normativo deve reger todo o funcionamento e a formação das Comissões, e será submetido à aprovação do Conselho do Ensino, da Pesquisa e da Extensão (Conepe).
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