Após 38 dias do resultado da eleição dos Estados Unidos (EUA), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reconheceu nesta terça-feira (15) a vitória de Joe Biden como novo presidente americano. O Brasil, que compõe o G-20, foi o último país a reconhecer a vitória. Segundo informações do Estadão, o motivo seria porque Bolsonaro foi orientado pelo embaixador Nestor Forster, a não admitir a vitória de Biden.
Segundo o jornal, o embaixador enviou cinco telegramas a Brasília, ao longo da contagem dos votos, com descrições baseadas em análises e notícias falsas que questionavam a lisura da disputa vencida por Joe Biden. Durante a apuração, o presidente brasileiro demonstrou sintonia ao discurso eleitoral de Trump, algo incomum na história da diplomacia nacional, a ponto de não comentar a derrota do aliado.
Dentre as conversas acessadas pelo jornal, através da Lei de Acesso à Informação (LAI), o diplomata repassou análises que enfatizavam a desconfiança no processo eleitoral e, depois, com a confirmação do resultado favorável ao democrata, enviou relatos que apostavam numa virada de mesa nos tribunais.
As mensagens enviadas entre 5 e 12 de novembro pelo embaixador, num total de 22 páginas, destacaram comentários e expectativas de aliados do candidato republicano. Outros dez telegramas, com 54 páginas, enviados em julho e agosto, meses das convenções partidárias, também foram acessados.
Na noite de 6 de novembro, horas antes do anúncio da vitória de Biden, Forster Junior informou a Brasília que “estreitas margens tornam quase certos processos de recontagens e ações judiciais adicionais”. “A campanha do presidente Donald Trump já robustece sua assessoria legal para promover a recontagem nos Estados-chave e ações judiciais relativas a percebidas irregularidades e denúncias de fraude na apuração de votos”, comunicou Forster Junior. No dia seguinte, um sábado, o democrata era declarado vencedor e analistas políticos dos EUA consideravam improvável uma mudança do resultado.
Segundo a reportagem, Foster Junior ignorava até mesmo as posições dos corpos diplomáticos em Washington. Nos telegramas, o embaixador só relatou em 12 de novembro que o Reino Unido, a Alemanha e a França tinham reconhecido a vitória de Biden. Os governos desses países cumprimentaram o democrata ainda no dia 7. As mensagens não sinalizaram recomendações para Bolsonaro fazer o mesmo. Questionado em entrevistas sobre a postura de outros dirigentes de cumprimentar Biden, o presidente brasileiro rebatia com a pergunta se a disputa tinha acabado.
Só nesta terça-feira Bolsonaro cumprimentou Biden pelo Twitter. “Saudações ao presidente, com melhores votos e a esperança de que os EUA sigam sendo ‘a terra dos livres e o lar dos corajosos’”, escreveu na sua rede social. “Estarei pronto a trabalhar com o novo governo e dar continuidade à construção de uma aliança Brasil-EUA, na defesa da soberania, da democracia e da liberdade em todo o mundo, assim como na integração econômico-comercial em benefício dos nossos povos.”
Ainda no dia 6 de novembro, Forster Junior alertou em relação a “diversos relatos” de fraudes em Michigan, Pensilvânia, Arizona e Nevada. Comentaristas políticos dos Estados Unidos acusavam Trump de divulgar fake news e enfatizavam que as ações dele na Justiça seriam derrotadas. Naqueles dias, emissoras de TV chegaram a interromper entrevistas do presidente na Casa Branca para alertar sobre mentiras ditas ao vivo.
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