Entrevista


Ana Lúcia Vieira diz que Edvaldo tratou Educação com descaso: ‘Demitiu mais de 200 professores’


Publicado 12 de novembro de 2020 às 23:00     Por Larissa Barros     Foto Divulgação

A ex-deputada estadual e professora Ana Lúcia Vieira Menezes, que ocupa a vice na chapa do candidato à prefeitura de Aracaju, Márcio Macedo (PT), afirmou durante entrevista ao AjuNews que o atual prefeito da capital, Edvaldo Nogueira (PDT) tratou a educação com descaso. Segundo a educadora, um dos principais reflexos “é a falta de material pedagógico e tecnológico nas escolas”, além da demissão de mais de 200 professores contratados, “gerando demissão em massa em um momento tão crítico”.

Ainda em entrevista, a candidata afirmou que o gestor não dialoga com a população e isso “tem sido um entrave para melhorias e implementação de políticas públicas” no município. “A população precisa ser ouvida, a mesma que sofre com a falta de transporte público adequado, com déficit de creches, sem priorizar a qualidade do nosso ensino, sem condições de trabalho adequadas, sem o respeito e valorização dos profissionais de educação, desmonte do Sistema Único de Saúde, especialmente no período crítico da pandemia com alta vulnerabilidade social”, disse.

 

Leia a entrevista completa:

AjuNews: Houve uma especulação sobre o presidente da Rede Sustentabilidade em Sergipe, Henri Clay, ser uma opção para ocupar o cargo de vice. Sendo assim, como foi a definição pelo seu nome dentro do partido?
Ana Lúcia: A definição do meu nome foi uma convocação do Partido dos Trabalhadores a partir do apoio do Partido Republicano da Ordem Social (Pros) e da Rede Sustentabilidade à candidatura de Márcio Macêdo para a Prefeitura de Aracaju. Esta aliança condicionou o meu nome como candidata à vice de forma consensual entre os partidos.
Acreditamos na união de forças na unidade para que Aracaju avance com esta Frente Progressista de Esquerda no entendimento de preservar a unidade de esquerda como enfrentamento ao processo de retrocessos que vivemos atualmente no campo político.
Neste momento histórico tão difícil senti a necessidade de aceitar o convite como tarefa militante de fortalecimento de meu partido onde estou há 40 anos.
Estamos em um momento muito difícil e precisamos fortalecer a nossa democracia. Para defender a nossa democracia não tem tempo, não tem idade. Quem sonha com a construção de um outro mundo, com igualdade, justiça social, fraterno e solidário. Quem tem projeto socialista e tem a certeza que é possível transformar a sociedade, as relações sociais, as relações de produção, tem que estar sempre na luta. Quando temos projeto claro na política e na ideologia sabemos que determinados momentos da história não podemos dizer não e foi o que aconteceu neste momento. Por duas vezes já tinha colocado o meu nome para disputar a Prefeitura de Aracaju, a cidade onde nasci. Aqui me constitui como mulher, como cidadã, como professora, como lutadora de esquerda e aqui também a população sempre me reconheceu e me deu uma grande votação.
Assim, pretendo ser a vice-prefeita de Aracaju com a convicção na democracia direta, na escuta, no atendimento às principais demandas da população aracajuana.

AjuNews: Qual a avaliação que você faz, entre pontos positivos e negativos, do governo Edvaldo Nogueira (PDT)?
Ana Lúcia: Precisamos reconstruir esta cidade escutando o povo, os seus anseios, as suas necessidades, as suas demandas. Este é o grande papel de uma democracia participava e o que na prática não tem sido feito pelo atual prefeito. Suas ações demonstram um perfil conservador e centralizador. Neste aspecto, considero que a falta de diálogo do prefeito com a população tem sido um entrave para melhorias e implementação de políticas públicas.
A população precisa ser ouvida, a mesma que sofre com a falta de transporte público adequado, com déficit de creches, sem priorizar a qualidade do nosso ensino, sem condições de trabalho adequadas, sem o respeito e valorização dos profissionais de educação, desmonte do Sistema Único de Saúde, especialmente no período crítico da pandemia com alta vulnerabilidade social e com pouca resposta da administração para ofertar uma assistência adequada.
Estamos falando de uma precarização de várias categorias de trabalhadores como os de saúde, de educação, assistentes sociais e outros profissionais que possuem importante contribuição para efetivação de ações de enfrentamento ao Coronavírus.
Outra questão é a falta de efetivação do Plano Diretor. Temos o Estatuto da Cidade que prevê que a cada 10 anos haja a atualização do Plano Diretor e o nosso não tem avançado. É preciso uma reconfiguração do espaço urbano, atualizando o Plano Diretor que está defasado há 20 anos a fim de podermos atender as demandas dos bairros. O que vemos na prática é a precarização da habitação, falta de infraestrutura, o afastamento das populações mais vulneráveis sem acesso aos bens e serviços da cidade, que vem crescendo de forma desordenada.
Somente a partir de uma gestão municipal participativa podemos garantir o direito aos bens e serviços da cidade. Esta é uma luta coletiva que precisa avançar para acabarmos com a exclusão social nas áreas mais afastadas da cidade onde vivem os trabalhadores e trabalhadores, desempregados, desvalidos, que sofrem com a falta de estrutura, abandono de políticas públicas habitacionais, sem áreas urbanas de lazer, com problemas de acesso ao transporte público. É preciso olhar para as famílias que moram nos assentamentos populares em Aracaju que vivem sem as mínimas condições de moradia e de renda, que todos os dias pegam ônibus lotados em plena pandemia para irem trabalhar. A falta de licitação do transporte público e da coleta do lixo demonstra que o governo municipal não está tendo autonomia para definir as políticas nestas áreas.
Queremos mudar esta situação. Uma cidade planejada e colaborativa é um dos 13 compromissos da Coligação Aracaju para Todos Nós, com o adequado uso e ocupação do solo, com infraestrutura e os serviços urbanos, priorizando a urgente necessidade de revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e intervenções nas localidades mais necessitadas. A proposta é promover uma cidade que cresça de forma orgânica a partir de um planejamento urbano integrado às diversas políticas públicas, privilegiando a diversidade de modais e o desenho das vias na mobilidade urbana, o saneamento básico e a habitação, viabilizando novas moradias e assistência técnica para habitação de interesse social.

AjuNews: Caso a sua chapa seja eleita para administrar Aracaju, como seria a sua participação na gestão de Márcio Macedo?
Ana Lúcia: Será uma participação pautada na construção coletiva, no respeito ao interesse público. Como mulher, feminista e sempre ligada às questões sociais e trabalhistas, e considerando minha experiência legislativa em quatro mandatos populares quando era deputada estadual e da minha atuação no poder executivo como secretária de educação na primeira gestão municipal de Marcelo Déda e secretária de Estado da Inclusão Social no primeiro governo de Marcelo Déda, pretendo colocar toda essa experiência para efetivação das medidas que torne Aracaju uma cidade com inclusão social e diálogo permanente para uma construção coletiva, marca de gestão que o PT sempre teve como legado de administração.
Na perspectiva da questão de gênero, entendo que a minha participação é buscar a implantação de políticas públicas da empregabilidade, de enfrentamento à violência e o respeito à população LGBTQI+ como diálogo constante entre a administração municipal e estes segmentos sociais.
Da mesma forma, atuarei para que Aracaju potencialize a cada dia os direitos humanos e a busca por igualdade e justiça social. A minha participação representa essa vontade e compromisso de transformar a vida dos nossos bairros, da nossa cidade, da nossa gente, acreditando na democracia e na construção coletiva.

AjuNews: A senhora é professora, formada em Pedagogia pela Universidade Federal de Sergipe. Qual a sua avaliação sobre o desenvolvimento da Educação na capital durante a atual gestão?
Ana Lúcia: Entre as capitais brasileiras, Aracaju ainda não tem um desempenho satisfatório nas primeiras séries do ensino. Em plena pandemia, demitiu mais de 200 professores contratados, gerando demissão em massa em um momento tão crítico, o que fez aumentar o desemprego entre os profissionais de educação. Também não deu reajuste aos professores de carreira, violando o direito de colocar na prática o pagamento do piso nacional do magistério em Aracaju.
Ainda em relação à pandemia não apoiou os professores e alunos com medidas que pudessem contribuir com a reestruturação da rede de ensino neste momento. Um dos principais reflexos deste descaso é a falta de material pedagógico e tecnológico nas escolas.

AjuNews: Ocupar alguma secretaria como, por exemplo, a da Educação está entre os planos de gestão? Já existe algum projeto que possa ser considerado um trabalho diferente daqueles feitos em outras gestões?
Ana Lúcia: Neste momento a possibilidade de ocupar alguma secretária não está sendo discutida. Em relação aos projetos que queremos desenvolver no campo da educação está a implementação de uma Política Municipal de Educação com a participação de professores, estudantes e funcionários das escolas, o fortalecimento dos Conselhos Escolares e do Fórum Municipal de Educação, rediscussão do Plano Municipal de Educação com a participação de todos os agentes no processo e o restabelecimento do Centro de Capacitação dos Trabalhadores na Educação.
Também vamos promover uma ampla mobilização social visando a alfabetização de jovens e adultos, a formação e apropriação da cultura digital em parceria com as universidades, além de proporcionar condições para que crianças e adolescentes frequentem as creches, pré-escolas e o ensino fundamental em jornada mínima de 6 horas diárias.
Queremos priorizar o Sistema Único de Assistência Social desde a atenção primária até o atendimento de alta complexidade, como também restabelecer o Sistema Único de Saúde, com ampliação do atendimento primário de assistência às famílias com agentes de Saúde da Família até o atendimento de alta complexidade. O sistema está desmontado e é uma vontade e uma prioridade nossa reestruturar todo esse sistema.
Outra área que será priorizada, que é transversal, é da cultura entendendo que todas as manifestações da nossa população sejam respeitadas e valorizadas e que toda a cidade conheça as suas várias formas de expressão e tenha condições de participar no campo da música, da literatura, do audiovisual e das artes plásticas, fazendo com que as artes cheguem aos bairros que estão afastados e apartados desses serviços da área das artes.



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